Jaques Wagner vê acordo PT-PSDB "sem sobressaltos"

segunda-feira, 24 de março de 2008 17:15 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), vê com naturalidade uma aliança do PT com o PSDB para a eleição do prefeito de Belo Horizonte (MG). Ele dá como exemplo o caso baiano, em que os tucanos fazem parte da base de sustentação do governo.

"No caso de Minas Gerais, se houver esta possibilidade e o PT de lá e o PSDB de lá concordarem, eu sinceramente não vejo com nenhum sobressalto", disse Wagner a jornalistas após realizar palestra a empresários paulistas.

Em Belo Horizonte, o acordo PT-PSDB está sendo costurado pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o prefeito, Fernando Pimentel (PT), para a sucessão na capital mineira.

"Eu faço política sem preconceito, eu faço política em função de idéias. Eles (tucanos) abraçaram nosso projeto, portanto nós já estamos construindo esse trabalho desde o começo de 2007", afirmou Wagner, que recebeu apoio do PSDB já durante a campanha para o governo da Bahia, em 2006.

Ele desbancou o chamado carlismo, grupo de influência do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (DEM), que atuou na Bahia por 16 anos.

A política de alianças do PT para a eleição municipal deste ano é tema de encontro do Diretório Nacional da legenda nesta segunda-feira em Brasília e o caso da capital mineira é dos mais polêmicos.

Wagner também deixou claro que não vai entrar em conflito com Antonio Imbassahy, potencial candidato tucano à prefeitura de Salvador. "Ele não é meu adversário, já o DEM é", resumiu.

Questionado se a aliança PT-PSDB poderia se estender à sucessão presidencial, deixou uma porta aberta. "Não vejo com naturalidade, agora, a política é a arte da conversa então o futuro a Deus pertence. Depende muito do resultado de 2008."

O governador afirmou ainda que o nome da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) está em alta para concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Dilma é o nome mais bem colocado no PT, é um ótimo nome. Tem um jeito muitas vezes duro, mas objetivo e empresarial", disse, ao responder pergunta de um empresário. Aos jornalistas, afirmou que Dilma desponta como possível candidata pelo peso que tem na gestão do governo do presidente Lula.

Sobre a lembrança de seu nome para 2010, diz que agora tem a tarefa de governar a Bahia. "Se eu governar bem a Bahia isso pode me credenciar", previu. (Reportagem de Carmen Munari)