BC vê desaceleração do crédito às famílias em maio

terça-feira, 24 de junho de 2008 13:33 BRT
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - As operações de crédito oferecidas pelo sistema financeiro cresceram 2,6 por cento em maio e atingiram 36,5 por cento do Produto Interno Bruto, maior volume desde janeiro de 1995.

Apesar do crescimento no volume total, o Banco Central reforçou discurso de que os financiamentos às pessoas físicas apresentam acomodação --com desaceleração de volume e prazos e ligeira elevação na inadimplência-- ao divulgar os dados nesta terça-feira.

"Você tem uma clara acomodação no crédito à pessoa física, principalmente no crédito pessoal", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ressaltando que esse comportamento já configura uma tendência.

"E, por outro lado, há uma elevação no crédito à pessoa jurídica, tendo como característica captação de grandes empresas."

O crédito tem sido determinante para manter a economia brasileira aquecida, e economistas estão atentos a sinais de desaquecimento desse mercado desde que o BC deu início a um ciclo de aperto monetário, em abril, para fazer frente à elevação da inflação.

Para Alexandre Lintz, estrategista-chefe do BNP Paribas, os dados de maio ainda não apresentaram sinal "significativo" de desaceleração. "O relatório de hoje está em linha com nossa visão de que o Banco Central adotará um tom mais duro no Relatório de Inflação", ponderou em relatório.

JUROS

Os financiamentos às pessoas físicas cresceram 1,4 por cento em maio e, para as empresas, o aumento foi de 3,6 por cento. O prazo médio dos financiamentos ficou estável em 370 dias pelo terceiro mês consecutivo.   Continuação...