Colômbia adia retomada de relações com Equador

terça-feira, 24 de junho de 2008 15:37 BRT
 

BOGOTÁ (Reuters) - A Colômbia adiou a retomada das relações diplomáticas com o Equador, em protesto pelas recentes declarações do presidente equatoriano, Rafael Correa, consideradas hostis pelo governo colombiano, disse nesta terça-feira o chanceler Fernando Araújo.

Em resposta, o Equador disse na terça-feira que pode impor restrições comerciais à Colômbia.

As relações dos dois países estão suspensas desde o início de março, após o ataque de militares colombianos contra uma região de selva no Equador, no qual morreram pelo menos 25 pessoas, incluindo o número dois da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes.

"Nós tínhamos acertado com a Chancelaria do Equador o restabelecimento das relações diplomáticas nesta semana, em nível de encarregados de negócios, e tínhamos a intenção de fazer isso, mas as últimas declarações do presidente Correa nos fecharam o espaço para poder avançar nesse processo", explicou o chanceler da Colômbia.

"Não sentimos que esteja certo que, com declarações tão ofensivas do presidente Correa, nós nos façamos de surdos e simplesmente sigamos adiante no estabelecimento das relações", acrescentou Araújo, falando para uma rádio local.

Araújo disse que a Colômbia se preocupa com as constantes mudanças do presidente Correa, que um dia faz declarações "amistosas" e no outro, "inamistosas".

Apesar da decisão da Colômbia, o chanceler assegurou que manterá os canais de comunicação, que incluem a Fundação Carter e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Os dois países têm uma fronteira terrestre de 586 quilômetros.

Correa garantiu no fim de semana à imprensa argentina que será seu país que fixará as datas no que se refere à relação com a Colômbia, deteriorada depois do bombardeio do acampamento das Farc em território equatoriano. "Somos nós os agredidos, nós temos de fixar as datas", afirmou Correa.

O Equador acusou a Colômbia de ter executado um massacre que violou sua soberania. Já a Colômbia afirma que o governo de Correa mantém acordos secretos com as Farc e apóia esse grupo, considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e União Européia.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)