"Pancada" no juro pode encurtar luta contra preços--ministro

quinta-feira, 24 de julho de 2008 14:52 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O aumento mais forte da taxa de juro pode ser uma estratégia do Banco Central para encurtar o processo de aperto monetário, avaliou nesta quinta-feira o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo.

"(O BC) deve ter avaliado que uma pancada mais forte pode encurtar o tempo de luta contra a inflação", afirmou durante evento no Rio de Janeiro.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juro em 0,75 ponto percentual, para 13,0 por cento ao ano, surpreendendo parte do mercado que aguardava uma alta mais branda.

Nas reuniões de abril e junho, o Copom elevou a Selic em 0,50 ponto, dando início à operação para colocar os preços de volta à trajetória das metas definidas pelo governo.

No início do mês, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que faria de tudo para trazer a inflação de volta ao centro da meta já em 2009.

"A reunião do Copom ontem deu sinal claro de que o governo, principalmente o Banco Central, não está para brincadeira com a inflação", acrescentou Bernardo.

A meta de inflação perseguida pelo BC em 2008, 2009 e 2010 é de 4,5 por cento, com margem de variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) --que baliza a política de metas-- acumulou nos últimos 12 meses até junho alta de 6,06 por cento, e analistas já apostam que o índice acumulará no ano um avanço de 6,53 por cento, superando o teto da meta pela primeira vez desde 2003.

Na avaliação do ministro do Planejamento, o aumento da dose decidido na quarta-feira pelo Copom mostra que o BC atuou como zagueiro de um time de futebol.

"O Banco Central é como um zagueiro que sai da área para matar a jogada, não quer perder a viagem", disse. "Os caras abriram a caixa de ferramentas para matar a jogada e tirar o perigo de gol."

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)