Especialista brasileiro que irá a Mianmar exige livre acesso

quarta-feira, 24 de outubro de 2007 23:06 BRST
 

Por Claudia Parsons

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O especialista em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para Mianmar prometeu na quarta-feira que não será constrangido pela junta militar que governa o país quando visitá-lo no mês que vem para um relatório sobre a recente crise.

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro disse acreditar que as prisões continuaram após a repressão, no mês passado, de manifestações lideradas por monges budistas em várias cidades do país.

"O que me incomoda é que a repressão não parou um momento sequer --isso é o que me incomoda-- apesar de todos os apelos", disse ele a jornalistas na sede da ONU.

Em carta enviada ao secretário-geral Ban Ki-moon na sexta-feira e divulgada na segunda-feira, o ministro do Exterior de Mianmar, Nyan Win, disse que Pinheiro pode visitar Mianmar após uma cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático, que começa em 17 de novembro.

Será a primeira visita do brasileiro ao país em quatro anos.

"Pedirei acesso livre, o secretário-geral pedirá acesso livre", disse Pinheiro, acrescentando que visitas a celas de prisões para conversar com detidos foi "uma exigência".

"Hoje o embaixador (de Mianmar) me garantiu que eles darão cooperação total", acrescentou. "Se eles não me derem cooperação total, vou para o avião."

Questionado se teme que seus movimentos possam ser limitados, Pinheiro respondeu: "Geralmente eu vou onde quero".

Ele disse ainda acreditar que, na repressão do mês passado, foram mortas muito mais pessoas do que as 10 mortes reconhecidas oficialmente.

Pinheiro, um professor de direito que mora em Genebra que se reporta ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, já visitou Mianmar seis vezes desde 2000. Ele, no entanto, não recebe permissão para voltar ao país desde novembro de 2003, apesar de repetidos pedidos.