24 de Outubro de 2008 / às 20:04 / 9 anos atrás

CENÁRIOS-Serra e PT jogam preliminar de 2010 na atual eleição

Por Fernando Exman

BRASÍLIA, 24 de outubro (Reuters) - A reta final do segundo turno das eleições municipais precipitou um embate que já remete à disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Líderes do PT e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), passaram a ocupar o centro da arena política nacional.

Serra busca a preferência dos correligionários para se candidatar à Presidência da República pelo PSDB. O PT, por sua vez, não abre mão de indicar um candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“(Serra e o PT) já estão fazendo uma preliminar de 2010”, comentou à Reuters o senador Renato Casagrande (PSB-ES), aliado do presidente Lula no Congresso e do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte. Aécio disputa com Serra o direito de ser o candidato da oposição em 2010.

O acirramento do clima entre Serra e os petistas ocorreu depois de que ficou evidente o fortalecimento do governador de São Paulo nas eleições municipais. Apesar de Geraldo Alckmin ter se candidatado à prefeitura de São Paulo pelo PSDB, Serra patrocinou a candidatura de Gilberto Kassab (DEM), atual prefeito da cidade. Nas vésperas do primeiro turno, o democrata ultrapassou a petista Marta Suplicy (PT) e agora lidera com folga a preferência do eleitorado paulistano.

Na semana passada, a disputa entre o PT e Serra se tornou mais evidente. Um conflito entre policiais civis e militares em São Paulo provocou uma troca de acusações entre petistas e o governador.

O confronto aconteceu depois que a Polícia Militar tentou impedir o avanço de policiais civis grevistas que tentavam realizar uma manifestação em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

O governador acusou o PT e aliados de estarem por trás do movimento, enquanto os petistas passaram a atacar o que chamaram de incapacidade administrativa e desrespeito a movimentos sociais de Serra.

“O PT, no desespero ante a derrota iminente na capital de São Paulo, tentou um golpe para atingir o governador Serra”, disse à Reuters o deputado Antonio Carlos Pannunzio (PT-SP). “Tenho certeza que foi para desgastá-lo.”

ADVERSÁRIOS INTERNOS

A investida dos petistas contra Serra tem explicação. Os adversários internos do tucano na disputa pela indicação do PSDB à disputa pela Presidência da República perderam terreno nas eleições municipais.

Aécio, em parceria com o prefeito da capital mineira Fernando Pimentel (PT), lançou a candidatura de Márcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte. O socialista era considerado favorito a vencer no primeiro turno, mas Leonardo Quintão (PMDB) conseguiu levar a disputa para a segunda etapa.

Já Alckmin, que concorreu à presidência em 2006 e perdeu para o presidente Lula, saiu enfraquecido depois de se candidatar a prefeito de São Paulo e nem passar para o segundo turno.

“Ele (Serra) sai como o grande favorito a candidato do PSDB”, estimou o líder do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PE), em entrevista à Reuters. “É natural essa polarização.”

Rands ponderou, entretanto, que apesar de repercutir na correlação de forças no cenário político dos próximos anos, a eleição municipal não será decisiva para a sucessão presidencial.

O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (PSDB-SP), disse à Reuters concordar. O tucano ressaltou que Serra sai fortalecido do pleito municipal, mas sugeriu que a candidatura do colega ainda não pode ser considerada um fato consumado.

“Há um processo -- e o próprio governador sabe -- que ainda não está concluído”, declarou, complementando que as conversas sobre a candidatura tucana para 2010 só serão intensificadas a partir do ano que vem.

Minimizando o fato de Lacerda não ter liquidado a eleição no primeiro turno, Aníbal negou que Aécio saia fragilizado das eleições municipais e afirmou acreditar que o candidato do governador mineiro vencerá no domingo.

“Eleição não é jogo de futebol, um Fla-Flu ou Corinthians e Palmeiras. É um processo em que o eleitor procura apurar a sua sensibilidade com respeito a quem vai responder melhor os desafios no âmbito municipal”, concluiu.

Edição de Mair Pena Neto

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