October 26, 2008 / 10:28 PM / 9 years ago

ANÁLISE-Entre presidenciáveis, Serra é o grande vitorioso

5 Min, DE LEITURA

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 26 de outubro (Reuters) - De todos os nomes ventilados à sucessão de 2010 que atuaram nestas eleições municipais, foi o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o maior vencedor indireto da disputa.

O desempenho do tucano supera, com folga, o de possíveis adversários em 2010: a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e o governador Aécio Neves (MG), ainda que este tenha conseguido eleger seu afilhado político.

Publicamente ou nos bastidores, eles têm ambições de chegar ao gabinete do 3o andar do Palácio do Planalto, ocupado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há seis anos.

"Só o Serra sai fortalecido", afirma categórico o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB). "(Mas) só vamos saber realmente o impacto dessa vitória no final de 2009, quando o jogo político estiver mais definido", ponderou o analista.

Apesar da candidatura do correligionário Geraldo Alckmin à prefeitura de São Paulo, José Serra apoiou Gilberto Kassab (DEM) à reeleição. Inicialmente em terceiro lugar, o democrata superou as resistências e venceu Marta Suplicy (PT) neste segundo turno, dando mais musculatura eleitoral a seu padrinho político.

"Serra jogou muito bem. Sairá das urnas sem arranhões", afirmou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), próximo ao tucano.

Já Áecio Neves conseguiu eleger Márcio Lacerda (PSB), após um apertado cenário eleitoral no final do primeiro e início do segundo turno. Aécio e José Serra são adversários silenciosos no PSDB pela vaga na indicação de candidato a presidente da República. E é justamente Serra quem sai na frente na disputa interna.

Em Belo Horizonte, o governador tucano orquestrou uma aliança com o PT e apoiou um candidato desconhecido.

Embora Lacerda tenha vencido no segundo turno, deixou para seus padrinhos um passivo de desgaste político ao não conseguir elegê-lo no primeiro turno, como queria. Seu desempenho, no entanto, foi superior ao dos governistas cotados à sucessão nacional.

Dilma E Ciro

Nome preferido por Lula à sua sucessão, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não vinculou seu nome a nenhum candidato de forma contundente nem patrocinou fórmulas complexas de apoio- -a exemplo de Serra e Aécio. Apesar disso, não brilhou nas cidades onde visitou para ajudar petistas e aliados.

Além de reforçar a corrida de Marta em SP, Dilma fez campanha para a petista Gleisi Hoffmann em Curitiba, derrotada pelo prefeito Beto Richa (PSDB) já no primeiro turno. Ela também foi a Natal pedir votos para Fatima Bezera (PT), derrotada por Micarla de Sousa (PV), apoiada pelo oposicionista DEM.

Em Porto Alegre, sua base política, Dilma viu a colega de legenda Maria do Rosário perder para o prefeito José Fogaça (PMDB) neste domingo.

Já o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) não conseguiu eleger sua ex-mulher, senadora Patrícia Saboya (PDT). Ela amargou um difícil terceiro lugar na disputa por Fortaleza, após ter tido a candidadura bombardeada com ajuda do próprio irmão de Ciro, o governador Cid Gomes.

Ciro já admitiu ser candidato em 2010, mas também não descarta a vaga de vice numa chapa com o PT. A hipótese, hoje, é considerada mais difícil, tendo em vista a vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ter o PMDB numa eventual dobradinha com Dilma Rousseff.

PATRIMÔNIO

Apesar dos dividendos conquistados neste domingo, Serra ainda precisa viabilizar sua candidatura e garantir que seu partido saia unido em torno de seu nome.

"O Serra não ganha a eleição presidencial só com São Paulo", ponderou um ministro de Lula sob condição do anonimato. "Lula perdeu em São Paulo em 2002 e venceu as eleições nacionais", acrescentou.

Eleger Kassab em São Paulo, de fato, não garante tudo, mas o deixa adiantado em relação aos demais possíveis adversários, sobretudo considerando seus desempenhos com a abertura das urnas.

Ele não só foi o responsável pela derrota do PT em São Paulo como conseguiu acumular forças dentro do partido. A performance do tucano Aécio Neves em BH o coloca em desvantagem na disputa partidária, caso ela venha a ocorrer.

Edição de Mair Pena Neto e Alexandre Caverni

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