EDF faz oferta de US$23,14 bi para compra da British Energy

quarta-feira, 24 de setembro de 2008 07:51 BRT
 

Por Vanessa Walters e John Bowker

PARIS/LONDRES, 24 de setembro (Reuters) - A companhia francesa de energia elétrica EDF (EDF.PA: Cotações) lançou uma oferta de 12,5 bilhões de libras (23,14 bilhões de dólares) para aquisição da British Energy BGY.L, ajustando sua proposta para controlar a indústria de energia nuclear britânica depois de meses de negociações.

A EDF, maior geradora mundial de energia nuclear, informou nesta quarta-feira que está oferecendo 774 pence por ação da British Energy, ou, como alternativa, 700 pence em dinheiro mais um "título de energia nuclear", um instrumento financeiro vinculado à performance futura da British Energy.

A companhia francesa, que previu que o acordo deve gerar economias de custo de 200 milhões de euros (293 milhões de dólares) e aumentar o lucro em 2009, informou que recebeu garantias de investidores da British Energy de que teria pelo menos 45,16 por cento da empresa.

"Estou satisfeito em dizer que tanto o governo quanto nosso maior acionista, Invesco Perpetual, se comprometeram em aceitar a oferta", disse o presidente-executivo da British Energy, Bill Coley, a jornalistas.

A nova oferta vale apenas 9 pence por ação mais que a rejeitada como muito baixa pelos acionistas Invesco e M&G, que detém cerca de 22 por cento da companhia. O governo britânico, que controla 35 por cento, tinha aceitado a proposta anterior.

O acordo fez analistas da Natixis elevarem a recomendação sobre as ações da EDF de "reduzir" para "comprar", afirmando que a aquisição tem "um grande sentido industrial".

Ao mesmo tempo, a companhia britânica de gás Centrica (CNA.L: Cotações) informou que está negociando com a empresa francesa para comprar uma participação de 25 por cento na British Energy pelo mesmo preço por ação que a EDF, aliviando temores de que a indústria nuclear britânica caia em mãos estrangeiras.

A EDF deve ser beneficiar com o crescimento do mercado nuclear da Inglaterra onde planeja construir quatro Reatores Europeus Pressurizados (EPR), iniciando uma nova onda de construção de usinas nucleares no país.

As usinas atômicas da Inglaterra fornecem 19 por cento da eletricidade do país. Apesar disso, com exceção de uma, todas devem fechar dentro de 15 anos.