Líder da ONU visita zona do sismo; mortos podem superar 80.000

sábado, 24 de maio de 2008 10:49 BRT
 

YINGXIU (Reuters) - O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, visitou sábado o epicentro do terremoto ocorrido na China e se reuniu com o primeiro-ministro Wen Jiabao, que indicou que o número de mortos poderia chegar a mais de 80 mil, com 30 mil desaparecidos.

Ban chegou de helicóptero a Yingxiu, um pequeno povoado que perdeu cerca de dois terços de seus habitantes no sismo de 12 de maio e onde quase não restam construções seguras de pé.

Cerca de duas semanas depois do terremoto, as esperanças de encontrar pessoas com vida praticamente desapareceu. Entretanto, as autoridades asseguram que não abandonaram a busca de sobreviventes, especialmente de várias pessoas que ficaram presas em minas de carvão.

Enquanto equipes de ajuda, com máscaras, descarregavam mantimentos e milhares de soldados trabalhavam para remover os escombros e desenterrar os mortos, Ban elogiou a liderança de Wen e a resposta de seu governo à tragédia, e prometeu apoio absoluto.

"O governo chinês, nas primeiras etapas deste desastre natural, fez grandes esforços e demonstrou uma liderança extraordinária", disse Ban a um pequeno grupo de jornalistas.

Pequim recebeu muitos elogios por seus esforços de ajuda, por enviar mais de 1.000 soldados e uma série de altos funcionários às áreas mais afetadas. Também foi exaltada a abertura do país à ajuda externa, mesmo com a zona do terremoto sendo a sede do principal laboratório de investigação de armas nucleares da China.

O contraste com a situação do vizinho Myanmar é grande, embora não tenha sido mencionado. Depois da visita de Ban a Rangun esta semana, o governo militar da ex-Birmânia permitiu finalmente o ingresso de equipes estrangeiras para ajudar no socorro às vítimas do ciclone Nargis que arrasou o país.

Wen disse que a China está focada agora em proporcionar tendas aos quase cinco milhões de desabrigados, prevenir epidemias e evitar desastres secundários, como deslizamentos de terra ou inundações.

(Reportagem de Patrick Worsnip)