Kassab segue estratégia de evitar respostas a Alckmin

quarta-feira, 24 de setembro de 2008 18:21 BRT
 

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 24 de setembro (Reuters) - Ao se recusar a revidar as afrontas que recebeu do adversário Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito de São Paulo e candidato Gilberto Kassab (DEM) está seguindo à risca a determinação de sua equipe de comunicação.

Pelo menos por enquanto, a campanha do DEM não fará alterações bruscas no rumo das mensagens transmitidas ao eleitor em função da mudança de humor de Alckmin. Se for detectada uma insistência que atinja eleitores desavisados, aí sim o cenário pode mudar.

"Pode mudar? Pode. Comunicação funciona por saturação. A repetição pode chamar a atenção de parcelas que não viram", disse integrante da comunicação kassabista, que falou à Reuters desde que seu nome não fosse citado.

Nesta quarta-feira, perguntado repetidamente sobre sua avaliação a respeito dos comentários de Alckmin --segundo quem o prefeito é dissimulado, usa a máquina pública para atrair apoio e quer minar o PSDB--, Kassab desconversou: "Eu estou aqui para falar de programa de governo. Nossa campanha é propositiva e vai continuar sendo assim", afirmou mais de uma vez durante visita ao comércio da zona leste.

De acordo com a fonte, eventualmente a campanha faz, em suas palavras, "ações táticas", colocando esclarecimentos nos programas de TV.

No programa desta tarde, que já havia ido ao ar na segunda-feira à noite e portanto antes dos ataques mais ácidos feitos por Alckmin, foram mostradas imagens de tucanos a quem Kassab deu apoio eleitoral.

Em seguida um locutor pergunta: "Por que será que Alckmin está atacando tanto o Kassab nesta eleição, será que é porque o Kassab está em segundo (nas pesquisas) e continua subindo? Mas aí é feio né?"

Segundo o integrante da comunicação do prefeito, os ataques recentes não trouxeram resultados eleitorais, seja para Kassab seja para Alckmin. Estaria tudo igual, o que as pesquisas de intenção de voto que serão divulgadas no final da semana atestariam.

O ex-governador iniciou críticas ao prefeito desde que, neste mês, os dois passaram a disputar a ida ao segundo turno. Ele ignorou o fato de a gestão paulistana ser tocada por DEM e PSDB conjuntamente.

(Reportagem adicional de Maurício Savarese; Edição de Mair Pena Neto)