24 de Setembro de 2008 / às 21:58 / em 9 anos

Agnelli diz que várias usinas chinesas aceitaram aumento-revista

SÃO PAULO, 24 de setembro (Reuters) - O presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que várias usinas siderúrgicas na China já aceitaram o aumento de aproximadamente 11 por cento nos preços do minério de ferro pedido pela empresa, de acordo com reportagem divulgada nesta quarta-feira.

Na semana passada [ID:nN18419945], um representante de uma associação que reúne produtores de aço da China havia afirmado que as empresas poderiam preterir o minério brasileiro caso a Vale insistisse no aumento.

Em entrevista veiculada no site da revista Época (revistaepoca.globo.com), o executivo afirmou que existem compradores oferecendo prêmio de preço pelo minério de Carajás e que a companhia (VALE5.SA) pretende apenas alinhar os valores cobrados das chinesas com aqueles praticados na Europa.

“Não estamos brigando (com as chinesas). Aqui não se briga com cliente”, afirmou Agnelli à revista.

“O mercado chinês continua muito forte. Evidentemente essa demanda bate aqui na Vale. Tem várias e várias usinas querendo comprar nosso minério. E a gente está dizendo o seguinte: queremos unificar o preço europeu com preço asiático, já que a demanda está muito mais forte lá na China. E o minério de Carajás, que é de melhor qualidade, pelas condições de mercado, é um produto escasso hoje”, acrescentou Agnelli.

“Tem muita gente que bate aqui na porta querendo pagar até ágio. O que a gente está fazendo é normalizando um pouco mais esse mercado. Faz todo sentido, pela demanda chinesa, pelo frete e pela qualidade, que o minério de Carajás tenha um prêmio, um preço maior. É isso que a gente está negociando com os chineses agora”, disse o presidente da Vale.

A sistema de negociação de preços no setor de minério de ferro sofreu uma ruptura neste ano, quando duas das rivais da Vale, a Rio Tinto e a BHP, resolveram não seguir o acordo fechado no início do ano pela brasileira e que normalmente era adotado pelas outras empresas do setor.

Rio Tinto e BHP, alegando que o custo dos chineses para transportar minério produzido na Austrália seria muito menor do que o para o transporte do produto brasileiro, conseguiram aumentos maiores que os obtidos pela Vale, que ficaram entre 65 e 71 por cento.

Agora, a Vale busca um reajuste extra junto aos asiáticos.

“Várias usinas chinesas já aceitaram. Mas estamos no meio da negociação”, afirmou Agnelli, acrescentando que o aumento pretendido é para 2008. Ano que vem, deverá ocorrer nova rodada de negociações para os contratos de longo prazo.

Questionado sobre a tendência para o mercado de commodities, Agnelli afirmou que a urbanização e os projetos de infra-estrutura em países em desenvolvimento, como Rússia, China e Índia, vão manter forte a demanda.

Mas ele também prevê alguma acomodação nos preços.

“A subida no começo deste ano ocorreu porque os produtores de matéria-prima não estavam preparados para atender a uma demanda tão forte num curto prazo de tempo. Isso foi reflexo de falta de produto, uma inflação de demanda”, declarou.

Segundo ele, a forte demanda mostrou que seria “impraticável” manter aquele ritmo de crescimento sem gerar inflação.

Sobre o eventual impacto da atual crise financeira para o setor de mineração, Agnelli acredita que ele será passageiro.

“Ela (desaceleração) vai acontecer nos países desenvolvidos... Esses mercados vão sofrer, todo o setor financeiro. Também o setor de construção civil, em que boa parte do material usado é reciclado. O nosso mercado de commodity, e eu incluo as commodities agrícolas, vai ser menos afetado proporcionalmente que o mercado financeiro. Mas o lado real da economia continua bastante capitalizado. E vai passar por isso.”

Texto de Marcelo Teixeira; Edição de Roberto Samora

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