ANÁLISE-Crise pode gerar revisão em acordo InBev/Anheuser-Busch

sexta-feira, 24 de outubro de 2008 10:16 BRST
 

Por Martinne Geller

NOVA YORK, 24 de outubro (Reuters) - Conforme a data para a conclusão do fechamento da aquisição de 52 bilhões de dólares da Anheuser-Busch (BUD.N: Cotações) pela InBev INTB.BR se aproxima, alguns investidores temem que a companhia seja forçada a renegociar os termos do acordo ou mesmo a suspender a operação que criará a maior cervejaria do mundo.

O derretimento do setor bancário e a correspondente volatilidade dos mercados já fez com que a cervejaria belgo-brasileira adiasse uma emissão de títulos de 9,8 bilhões de dólares que planejava fazer após o acordo. Analistas dizem que a operação ainda pode sofrer mais mudanças.

Entre as possibilidades está a oferta de um componente em ações em troca pelas ações da Anheuser em vez de uma transação toda em dinheiro como está definido atualmente. Há também possibilidade de tentativa de persuadir a cervejaria norte-americana a aceitar um preço menor diante da queda dos mercados que eliminou trilhões de dólares em valor de ativos mundo à fora.

"Se você combinar o volume de dinheiro que eles estão levantando e as incertezas nos mercados de crédito... eu creio que o senso comum diria que há motivos para preocupação", disse Jack Russo, analista da Edward Jones.

"Essa operação pode ser atrasada? Pode ser reestruturada? Essas são possibilidades", disse o analista.

Uma porta-voz da InBev afirmou esta semana que o acordo continua dentro do cronograma para ser concluído no final deste ano.

A InBev, formada pela união da belga Interbrew com a brasileira AmBev AMBV4.SA, tem repetidamente afirmando que o acordo continua seguindo o planejado. Mas as ações da Anheuser continuam sendo negociadas bem abaixo do preço de 70 dólares proposto no acordo, o que indica que pelo menos alguns investidores mostram-se céticos com a operação.

A Anheuser está avaliada atualmente perto de 58 ou 60 dólares por ação, afirmou o analista especializado no mercado de cerveja Tom Pirko, da Bevmark. Ele disse que a InBev pode se beneficiar com um eventual retorno das negociações.   Continuação...