24 de Abril de 2008 / às 12:28 / 9 anos atrás

Copom reitera preocupações; mercado vê nova alta de 0,5 ponto

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Visando atuar sobre a perspectiva da inflação a fim de garantir previsibilidade aos agentes econômico e ressaltando o impacto da força da demanda doméstica sobre os preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa de juro neste mês e disse que continuará atuando com “prudência”, segundo a ata da última reunião.

O Copom reiterou ver a inflação acima do centro da meta deste ano e indicou que a projeção para 2009 também indica isso, além de reafirmar que o ajuste mais forte da Selic feito em março pode diminuir o movimento total, comentário que já havia sido feito no fim da reunião da semana passada.

Segundo analistas, mais do que sinalizar sua visão para o futuro, o Copom usou a ata para justificar a alta da Selic em 0,50 ponto percentual na semana passada. Não vendo no documento pistas novas sobre o futuro da política monetária, o mercado não alterou, por enquanto, a previsão de mais uma alta de 0,50 ponto em junho e de um ciclo curto de aperto.

“Não vi alterações significativas nesta ata, mesmo porque a ata anterior já apontava a possibilidade de aperto e já dava os motivos dele. Ele só justificou o aumento, citando aumento das perspectivas de inflação e atividade”, disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

“Ele repete o comunicado pós-reunião e fala que é melhor agir nos estágios iniciais da deterioração das expectativas. Ele tende a ver esse ciclo como curto, mas, claro, nem ele sabe por enquanto.”

A ata disse que “a atuação da política monetária tende a ser mais efetiva, atingindo seus objetivos com maior rapidez, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada”.

“Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes.”

Nas últimas semanas, as expectativas de inflação do mercado para este ano e o próximo vêm aumentando, inclusive superando o centro da meta de 2008. A inflação corrente também vem se mantendo pressionada, mas sobretudo devido a fatores sazonais e altas de alimentos. O comitê ressaltou que seus movimentos impactarão sobretudo no segundo semestre deste ano e em 2009.

PREVISÕES

O Copom disse ainda que suas previsões para a inflação neste ano e em 2009 aumentaram desde a reunião de março --conforme já havia sido dito no último Relatório de Inflação--, com a novidade de que agora a estimativa para o ano que vem também supera o centro da meta, de 4,5 por cento.

“Visando consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, o Copom adota uma estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil... A prudência passa a ter papel ainda mais importante nesse processo”, acrescentou o documento.

A ata enfatizou a preocupação do BC com a demanda interna em vários momentos, além de prever que o aumento do crédito e da massa salarial real continuarão atuando como estímulos.

Os sinais de aquecimento da atividade alimentam o risco para “a concretização de um cenário inflacionário benigno”.

“A ata não trouxe grandes surpresas. O mercado fica mais ou menos na mesma... Nem foi dura demais, para o mercado achar que a taxa subirá muito, e nem argumentou muito a questão da parte do ajuste já implemtado. Não direciona o mercado”, afirmou Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets.

“A próxima ata deve ser mais importante, porque ele deve aumentar 0,50 ponto (em junho) novamente e ele já direciona mais um pouco.”

O Copom manteve sua previsão de reajuste zero do preço doméstico da gasolina neste ano, mas admitiu que a probabilidade de se configurar um cenário alternativo vem aumentando.

Edição de Alexandre Caverni

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