24 de Outubro de 2008 / às 16:11 / em 9 anos

Mercado trabalha com queda do minério após VALE mudar de tom

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 24 de outubro (Reuters) - A mudança de tom da Vale sobre suas perspectivas para o curto e médio prazos, divulgada no balanço do terceiro trimestre, chamou a atenção do mercado, que já trabalha com a expectativa de uma luta árdua nas negociações com as siderúrgicas para o ajuste do minério de ferro em 2009 e uma provável queda de preço.

O Banif mudou sua projeção de ajuste em 2009 para queda de 20 por cento, enquanto a corretora SLW revê a estabilidade no preço para as demais mineradoras e aumento de 15 por cento para a Vale (considerando o reajuste de 12% que a empresa já pediu para clientes asiáticos).

A Vale anunciou na quinta-feira lucro recorde de 12,4 bilhões de reais, o triplo do esperado pelo mercado. Apesar disso, as ações da companhia caíam 1,6 por cento por volta das 14h, em mais um dia complicado para o mercado acionário. O Ibovespa despencava 6,3 por cento no mesmo horário.

"O terceiro trimestre foi muito bom para siderurgia, mas foi o último dos próximos dois a três trimestres...os chineses ficaram com a faca e o queijo na mão", avaliou o analista da SLW Pedro Galdi.

"No quarto trimestre os números vão ser piores, as commodities vão cair ainda mais, o dólar não deve se manter nesse patamar, mas em todo caso um dólar alto para ela (Vale) acaba sendo bom porque compensa a queda de volume e preço das commodities", explicou Galdi.

A China é a maior cliente da Vale, com importações projetadas para este ano de 100 milhões de toneladas de minério brasileiro. No terceiro trimestre, o país asiático foi responsável por 20 por cento da receita da mineradora.

Em nota, a Vale admitiu na quinta-feira que a o crescimento da China caiu e "deverá se enfraquecer ainda mais no restante do ano", afirmou a companhia, prevendo que a recuperação deverá acontecer no segundo semestre de 2009.

A companhia projeta dificuldades para a economia mundial nos próximos meses, "com o ritmo de crescimento caindo no curto prazo ao nível observado na recessão de 2001".

"O comentário sobre o cenário foi muito tenebroso", disse Galdi, destacando porém que a alta do dólar beneficia a companhia e, se a moeda norte-americana continuar valorizando pode equilibrar perdas de preço e volume.

"A verdade é que ninguém tem certeza de nada...ninguém consegue montar cenário e aí fala que é no segundo semestre que vai melhorar", observou o especialista lembrando o momento instável que o mercado como um todo está passando.

Para a analista Catarina Pedrosa do Banif, o dólar em alta deve continuar ajudando a empresa, como ocorreu no lucro recorde do terceiro trimestre.

"Quanto o preço (do minério) pode cair, 10, 20 por cento? Vamos supor que caia 20, como projetamos. Dependendo de quanto desvalorizou o câmbio, mais do que compensa", aposta a analista.

Ela também prevê uma dura rodada com os clientes em 2009 e afirmou que era inevitável a Vale mudar o otimisto que vinha empregando nos comunicados anteriores.

"Tem que mudar mesmo, não pode indicar que o preço vai subir, o preço não vai subir", aposta a analista.

Por Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira

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