24 de Setembro de 2008 / às 17:27 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Saída de fundos revela fortes fundamentos em commodities

Por Alden Bentley

NOVA YORK, 24 de setembro (Reuters) - As commodities estão novamente em movimento de valorização apesar da dramática reestruturação de Wall Street e da investida do governo norte-americano contra os especuladores nos futuros de matérias-primas.

Uma ampla recuperação no setor de commodities, mesmo com muitos especuladores ainda fora do mercado, reforça a idéia de que dificuldades de oferta e uma forte demanda global eram os principais fatores dos recordes nos preços de energia e alimentos --e não a atuação dos fundos de pensão e de hedge, como disseram muitos políticos.

De qualquer maneira, dizem especialistas, os movimentos dos fundos potencializaram os fundamentos econômicos no setor.

A palavra "volátil" é pouco para definir os mercados de commodities nos últimos dias. Especuladores foram forçados a liquidar grandes posições em contratos de energia e alimentos para fazer caixa.

O índice de commodities Reuters/Jefferies, que acompanha o movimento de 19 contratos futuros .CRB, fechou em 367 pontos na terça-feira, quase 9 por cento acima do menor nível em nove meses atingido em 16 de setembro, no auge da crise. Em julho, o índice havia atingido o recorde de 473 pontos.

"Ocorreu um descolamento entre o movimento de preços e os dados de fundamentos e talvez agora estamos vendo um pouco mais de realinhamento", afirmou Paul Horsnell, do Barclays Capital.

Com a crise, a alavancagem por parte de bancos e outros operadores para operar nos futuros ficou limitada.

CRÉDITO CURTO

Ironicamente, o aperto global no crédito poderá fazer com que a oferta de alimentos fique ainda mais restrita, mesmo com uma possível queda na demanda devido à redução da atividade econômica.

"Temos visto que o crédito para os produtores secou, de maneira geral. É quase impossível financiar qualquer coisa neste momento, então pode ser que vejamos escassez e os preços, com ou sem especuladores, podem virar realmente um problema", afirmou Philip Gotthelf, editor da Commodex System e do Commodity Futures Forecast Service.

Os preços do petróleo voltaram a ficar acima dos 100 dólares e valores elevados para os grãos usados em ração animal fazem com que pecuaristas em alguns países reduzam a atividade, gerando alta no preço das carnes.

Enquanto isso, não existem novas descobertas de óleo no Alaska, México ou Mar do Norte e as novas reservas do Brasil devem demorar anos para chegar ao mercado.

E a questão do plano emergencial nos EUA está levando algum fluxo de dinheiro para ativos como o ouro, já que o grande gasto do pacote elaborado por Washington pode provocar a desvalorização do dólar.

"Eles (investidores) estão com medo dos bônus porque bônus são dólares e dólares talvez terminem não valendo muito", disse Gotthelf. "Algumas commodities continuaram muito atrativas porque as pessoas estão muito assustadas".

Um projeto de lei nos EUA limitando as posições em commodities como petróleo e agrícolas passou pela Câmara mas ainda não pelo Senado.

A CFTC (Commodity Futures Trading Commission) informou ao Congresso recentemente que não tem como quantificar o movimento especulativo no mercado.

Mas a entidade mostrou que investidores reduziram praticamente pela metade suas posições em produtos como milho e açúcar.

"É bom ter essa expectativa de que as commodities retornarão aos fundamentos de oferta e demanda, e algumas farão isso mais cedo que outras. Mas na minha opinião, ainda será um jogo de fluxo de dinheiro aqui por um tempo", afirmou Bill O'Neill, diretor-executivo da LOGIC Advisors.

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