Relator pede indiciamento de 23 na CPI da crise aérea

quarta-feira, 24 de outubro de 2007 18:00 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O relator da CPI da Crise Aérea, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), pediu o indiciamento de 23 pessoas, sendo 21 ligadas ao antigo comando da Infraero, quando a estatal era presidida por Carlos Wilson entre 2003 e 2005, já no governo Lula.

A votação do relatório final ficou para a próxima semana, provavelmente na terça-feira, porque o senador João Pedro (PT-AM) pediu vista, acompanhado por outros integrantes da base do governo. Os senadores governistas consideraram que o texto estava duro demais.

"Eu estranho que em mais de 30 anos de vida pública e com história irretocável, o deputado Carlos Wilson agora seja alçado à condição de chefe de quadrilha", disse João Pedro.

Na eleição do ano passado, Carlos Wilson ganhou um mandato de deputado federal pelo PT de Pernambuco, após outros mandatos anteriores. Foi substituído na Infraero por José Carlos Pereira, que já deu lugar a Sérgio Gaudenzi.

De acordo com o relatório de Demóstenes Torres, havia um esquema de superfaturamento de obras na Infraero, que teria desviado mais de 500 milhões de reais dos cofres públicos. A estatal administra os aeroportos brasileiros.

"O deputado Carlos Wilson era um São Jorge do prostíbulo", atacou Demóstenes, classificando seu relatório como técnico. "Se vai ser votado como está ou não, não me cabe dizer", acrescentou.

O senador João Pedro afirmou que não vai apresentar um relatório paralelo, mas que os governistas vão propor emendas.

A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu, foi a única indiciada da Anac.

Instituída em maio, a CPI foi criada em meio à maior crise da aviação aérea brasileira. Tinha por objetivo apurar as causas e responsabilidades dos problemas no sistema de controle do tráfego aéreo e nos aeroportos. A crise teve início após o acidente ocorrido em setembro do ano passado, envolvendo um Boeing da Gol e um jato Legacy da Embraer, quando morreram 154 pessoas.