24 de Fevereiro de 2008 / às 13:17 / em 10 anos

Parlamento cubano aponta sucessor de Fidel neste domingo

Por Esteban Israel

HAVANA (Reuters) - O Parlamento cubano designará neste domingo o sucessor de Fidel Castro, depositando nas mãos de seu irmão Raúl o desafio de reanimar a economia sem comprometer o socialismo.

Esta será a primeira mudança no poder em Cuba desde 1959, quando Fidel derrotou o ditador Fulgêncio Batista. Não deve acontecer nenhuma surpresa neste dia.

Raúl, que governa interinamente há 19 meses, desde que seu irmão ficou doente, será indicado e eleito como novo chefe de Estado pela Assembléia Nacional, o Parlamento, em uma sessão prevista para começar às 12h (horário de Brasília).

O general de 76 anos se firmou no poder e tem prometido melhoras na qualidade de vida, que tem se deteriorado.

Raúl já deixou claro que não abandonará o regime socialista que ajudou seu irmão a levantar em um país que fica a cerca de 145 quilômetros de distância dos Estados Unidos, o inimigo que pediu, nesta semana, a “abertura política” na ilha.

“O que muda, quando se muda e como se muda é um assunto exclusivo daqueles que fizeram a revolução e de quem hoje a mantém viva”, disse no domingo o jornal oficial Juventude Rebelde.

O sentimento comum é que o debate para diagnosticar os problemas de Cuba parece ter despertado em muitos esperanças de mudanças econômicas graduais.

“Ideologicamente não há diferença. Os ideais de Raúl são idênticos aos de Fidel. O que pesa é que cada um tem uma forma diferente de governar”, disse Alejandro Ferrás, de 87 anos, que acompanhou em 1953 os irmãos Castro em suas primeiras ações.

Fidel Castro, de 81 anos, continuará como chefe do Partido Comunista, o único legal na ilha. E conservará sua aura como última lenda viva da esquerda mundial.

A saída de Fidel depois de quase meio século de poder pode iniciar, no entanto, algumas alterações no poder. Por isso, muitos querem mudanças no perfil do Conselho de Estado de 31 membros que também será eleito neste domingo pelo Parlamento a partir de uma lista única. Raúl Castro poderia, por exemplo, deixar seu atual cargo de vice-presidente para Carlos Lage, um médico de 56 anos considerado o cérebro de uma tímida abertura econômica na década de 1990 e que tem atuado muito desde a doença de Fidel.

A composição do executivo deverá ser mais relevante com Raúl do que com Fidel. “É outro estilo de governo. Fidel fazia quase tudo sozinho. Raúl distribui responsabilidades”, disse um militante do Partido Comunista.

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