February 24, 2008 / 4:03 PM / 9 years ago

Parlamento cubano inicia escolha de sucessor de Fidel

4 Min, DE LEITURA

<p>Membros da Assembl&eacute;ia Nacional de Cuba re&uacute;nem-se em Havana. O Parlamento do pa&iacute;s iniciou neste domingo uma sess&atilde;o hist&oacute;rica pela eleger o sucessor do l&iacute;der Fidel Castro, quem h&aacute; cinco dias p&ocirc;s fim a uma era ao renunciar ao poder depois de quase meio s&eacute;culo. Photo by Claudia Daut</p>

Por Esteban Israel

HAVANA (Reuters) - A Assembléia Nacional de Cuba, o Parlamento do país, iniciou neste domingo uma sessão histórica pela eleger o sucessor do líder Fidel Castro, quem há cinco dias pôs fim a uma era ao renunciar ao poder depois de quase meio século.

Tudo indica que a Assembléia Nacional elegerá nas próximas horas a seu irmão, Raúl, general de 76 anos, como novo chefe de Estado. A sessão teve início às 12h (horário de Brasília).

Raúl, vestido em um traje civil azul escuro, foi recebido com aplausos vigorosos pelos deputados ao ingressar no Palácio das Convenções, na região oeste de Havana, decorado com uma enorme bandeira cubana.

A presidente da Comissão Eleitoral Nacional, María Esther Reus, leu os nomes dos 614 integrantes da nova legislatura, começando por Fidel Castro, que não está presente e enviou seu voto em um envelope fechado. Todos aplaudiram.

Esta será a primeira mudança no poder em Cuba desde 1959, quando Fidel e seu grupo derrotaram o ditador Fulgêncio Batista. Não devem acontecer surpresas neste dia.

"Será Raúl Castro, porque sempre foi o número dois e sempre seguiu a linha da revolução. A continuidade está feita", disse Moreno, de 67 anos, trabalhador de uma empresa estatal de turismo.

Raúl, que governa interinamente há 19 meses, desde que seu irmão ficou doente, se firmou no poder e tem prometido melhoras na qualidade de vida, que tem se deteriorado.

O general já deixou claro que não abandonará o regime socialista que ajudou com seu irmão a levantar em um país que fica a cerca de 145 quilômetros de distância dos Estados Unidos, o inimigo que pediu, nesta semana, a "abertura democrática" na ilha.

"O que muda, quando se muda e como se muda é um assunto exclusivo daqueles que fizeram a revolução e de quem hoje a mantém viva", disse no domingo o jornal oficial Juventude Rebelde.

O sentimento comum é que o debate para diagnosticar os problemas de Cuba parece ter despertado em muitos esperanças de mudanças econômicas graduais.

"Ideologicamente não há diferença. Os ideais de Raúl são idênticos aos de Fidel. O que pesa é que cada um tem uma forma diferente de governar", disse Alejandro Ferrás, de 87 anos, que acompanhou em 1953 os irmãos Castro em suas primeiras ações.

Fidel Castro, de 81 anos, continuará como chefe do Partido Comunista, o único legalizado na ilha. E conservará sua aura como última lenda viva da esquerda mundial.

A saída de Fidel depois de quase meio século de poder pode iniciar, no entanto, algumas alterações. Por isso, muitos querem mudanças no perfil do Conselho de Estado de 31 membros que também será eleito neste domingo pelo Parlamento a partir de uma lista única.

Raúl Castro poderia, por exemplo, deixar seu atual cargo de vice-presidente para Carlos Lage, um médico de 56 anos considerado o cérebro de uma tímida abertura econômica na década de 1990 e que tem atuado muito desde a doença de Fidel.

A composição do Executivo deverá ser mais relevante com Raúl do que com Fidel. "É outro estilo de governo. Fidel fazia quase tudo sozinho. Raúl distribui responsabilidades", disse um militante do Partido Comunista.

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