February 24, 2008 / 8:43 PM / in 9 years

Sérvia volta à ofensiva contra Kosovo com ajuda da Rússia

4 Min, DE LEITURA

Por Douglas Hamilton

BELGRADO (Reuters) - A Sérvia voltou à ofensiva contra a independência de Kosovo no domingo, responsabilizando os Estados Unidos pela crise nos Bálcãs, ao mesmo que a Rússia, aliada dos sérvios, acusou os norte-americanos de destruir a "ordem mundial".

Três dias depois que jovens desordeiros de Belgrado envergonharam o país ao atacar embaixadas ocidentais e saquear lojas, o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, disse que Washington está ameaçando a paz e a estabilidade.

Em uma declaração feita em Moscou, a Rússia também acusou Washington de violar leis internacionais.

"Os Estados Unidos devem anular o reconhecimento de um Estado falso no território da Sérvia", disse Kostunica. "Devem reafirmar a resolução 1244 do Conselho de segurança da ONU, que garante a soberania e a integridade territorial da Sérvia."

"A continuação da política de força vai aprofundar a crise que mina as fundações da ordem mundial e ameaça a paz a estabilidade nos Bálcãs", disse ele.

A Sérvia fez um anúncio oficial de repúdio aos distúrbios da quinta-feira passada, em que a embaixada dos EUA foi atacada. A missão diplomática norte-americana enviou dependentes e funcionários de apoio para a Croácia, por segurança.

Esta semana, a Sérvia recebeu apoio de Moscou. Kostunica deverá receber Dmitry Medvedev, provável sucessor do presidente russo Vladimir Putin, na segunda-feira.

O ministro das Relações Exteriores russo exigiu, em nota, que se chegue a um compromisso sobre Kosovo. Diplomatas acreditam que Kosovo deverá ser dividida, embora a Sérvia nunca tenha feito essa proposta formalmente.

"O apoio apenas ao lado albanês de Kosovo, o desprezo pela lei em nome da chamada 'conveniência política' e a indiferença quanto ao destino de cem mil sérvios que estão sendo efetivamente jogados em um gueto não representam um cinismo flagrante?", dizia a nota.

"Não é cínico que o povo sérvio esteja sendo abertamente humilhado, enquanto Belgrado recebe a promessa de um futuro euro-atlântico, caso concorde com a repartição da Sérvia?"

A nota do ministro das Relações Exteriores afirma que a Rússia teve um contingente de soldados da força de paz em Kosovo de 1999 a 2004, sob a égide da força KFOR, da Otan, que tem 17 mil soldados lá.

"Foi retirada devido a nossa discordância fundamental com a parcialidade em questões relativas a Kosovo", disse o ministro.

Em vez de apoiar a independência do Kosovo albanês e outras ações "destruindo a ordem mundial, deve haver uma decisão baseada na lei e em um compromisso entre Belgrado e Pristina", disse o ministro, em nota.

Não foi especificado que tipo de compromisso a Rússia tem em mente. Mas em Kosovo, sérvios étnicos no norte estão resistindo --com o apoio da Sérvia e da Rússia-- à autoridade do novo Estado e aos países do ocidente que a legitimam.

A Rússia ainda não propôs abertamente um retorno de tropas russas a Kosovo. Mas seu embaixador na ONU, Vitaly Churkin, advertiu que o país vai agir para impedir que os sérvios de Kosovo sejam forçados a aceitar a nova república.

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