Prestações menores levam imóvel a competir com veículos

sexta-feira, 26 de outubro de 2007 17:34 BRST
 

Por Maurício Savarese

SÃO PAULO (Reuters) - As moradias para o chamado segmento econômico, desdenhadas até 2003 pelas principais empresas da construção civil, vão concentrar os lançamentos no setor no ano que vem, segundo executivos de companhias do ramo. Há espaço para crescer até conquistando clientes das montadoras de automóveis.

Após mais de uma década de estagnação, o setor de construção vive agora novo impulso --movido a estabilidade macroeconômica, maior crédito disponível, queda das taxas de juros e prazos mais longos de financiamento. Mas até este ano essas melhorias não chegavam a quem tem renda inferior a dez salários mínimos.

"Quando caem os juros, a economia leva até 12 meses para responder. Com os consumidores acontece o mesmo, e eles precisam de confiança para entrar em um financiamento", disse à Reuters Leonardo Correa, vice-presidente de Relação com Investidores da MRV Engenharia .

"2008 será o ano no qual quem tem menos vai confiar muito mais", afirmou o executivo da MRV, que é focada nesse segmento e lançou quase 500 milhões de reais em Valor Geral de Vendas (VGV) no primeiro semestre. A expectativa da empresa é de crescer mais de 30 por cento no ano que vem.

Prestações de 560 reais, como as que já existem em lançamentos da empresa, abrem caminho para futura concorrência com o setor automotivo, na avaliação de Correa.

Se confirmada a tendência de mais crédito e juros menores em 2008, diz ele, os imóveis devem rivalizar com as parcelas e prazos de financiamento dos carros, que já contam com planos em até 100 meses e pagamentos mensais de cerca de 150 reais por um veículo popular.

A previsão de expansão no segmento popular levou a Rossi, uma das maiores empresas de construção do Brasil, a lançar um plano de prestações a partir de 183 reais durante a obra, para projetos entre 45 mil e 130 mil reais. Nessa faixa, concentra-se a grande parte do déficit habitacional do país, estimado em mais de 7 milhões de unidades.

"Existem poucos projetos de alta renda, que eram o foco do mercado, para lançar em São Paulo ou no Rio. Por isso, olhamos para os imóveis populares ao mesmo tempo em que olhamos para o nosso processo de diversificação regional", disse o diretor de relações com investidores da empresa, Sérgio Rossi.   Continuação...