February 25, 2008 / 2:13 PM / 9 years ago

Contas externas voltam a ser negativas em 12 meses

6 Min, DE LEITURA

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil registrou déficit em transações correntes no acumulado em 12 meses em janeiro, após mais de quatro anos de superávits sucessivos, em um reflexo da piora do saldo comercial do país e do aumento das remessas de lucros e dividendos pelas empresas.

Os investimentos estrangeiros diretos, por outro lado, somaram 4,814 bilhões de dólares em janeiro, valor recorde para o mês e bem acima dos 2,422 bilhões de dólares obtidos em janeiro de 2007, mostraram números do Banco Central nesta segunda-feira.

Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, os números mostram uma mudança na "estrutura" do balanço de pagamentos brasileiro --conta que mede as trocas do país com o resto do mundo.

"Você consegue evidentemente financiar o resultado em transações correntes deficitário com fluxos mais estáveis de recursos: empréstimos de médio e longo prazo e investimento direto", afirmou Lopes a jornalistas.

O déficit em transações correntes foi de 1,169 bilhão de dólares nos 12 meses até janeiro, o equivalente a 0,09 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

A última vez em que o país havia tido déficit na conta corrente em 12 meses havia sido em maio de 2003, de 425 milhões de dólares. Em 2007, o país teve superávit em transações correntes de 3,349 bilhões de dólares, ou 0,26 por cento do PIB.

Em janeiro apenas, as transações correntes foram negativas em 4,232 bilhões de dólares, o pior resultado desde outubro de 1998, de 4,950 bilhões de dólares.

No mês passado, o país teve um superávit comercial de 944 milhões de dólares e as remessas de lucros e dividendos somaram 3,025 bilhões de dólares, ante 621 milhões de dólares há um ano.

Lopes reiterou que as remessas têm sido alavancadas pela elevação do estoque de investimentos estrangeiros no país, pelo real valorizado e pela necessidade de empresas cobrirem posições no exterior em meio à volatilidade dos mercados.

Para o economista Antônio Corrêa de Lacerda, o volume de remessas em 2008 deve superar o do ano passado. Ele avalia que o bom momento da economia brasileira tem feito aumentar o faturamento e os lucros das empresas, e que o câmbio favorece a conversão em dólares para remuneração dos acionistas nos exterior.

"Em janeiro podem ter ocorrido várias coisas, como remessas relativas aos balanços do ano passado. Não posso pegar esse número e simplesmente multiplicar por 12", comentou. "Não acho que o volume de remessas será de 36 bilhões de dólares este ano, mais vai ser um pouco acima dos 21 bilhões de dólares de 2007. Deve ficar entre 22 e 23 bilhões de dólares", afirmou Lacerda, que integra o Conselho Consultivo da Sobeet, que estuda empresas transnacionais.

A estimativa do BC para o ano, ainda não revisada, é de 20 bilhões de dólares.

"Do ponto de vista do balanço de pagamentos, para não ficar vulnerável, o Brasil tem que estimular exportações de maior valor agregado e a internacionalização das empresas brasileiras", disse.

Credor Externo

Para fevereiro, a projeção do BC é que as transações correntes tenham déficit de 1,7 bilhão de dólares e os investimentos estrangeiros somem apenas 200 milhões de dólares.

O valor reduzido dos investimentos justifica-se, segundo Lopes, pela concentração de operações de retorno de investimentos feitas por empresas. Apenas três companhias, do setor alimentício e comércio, registraram retornos no valor de 1 bilhão de dólares.

"Para os próximos meses, a expectativa é de fluxos bastante fortes", afirmou.

No mês passado, as empresas e o setor público (excluindo bônus da República) tomaram empréstimos equivalentes a 299 por cento do total de financiamentos de médio e longo prazo que estavam vencendo, em outra indicação, segundo o BC, de que o país está conseguindo se financiar. A projeção é que, em fevereiro, a taxa fique em 108 por cento.

O BC confirmou ainda a estimativa de que o Brasil passou a ser credor externo em janeiro, em 6,983 bilhões de dólares. O valor superou a projeção de cerca de 4 bilhões de dólares divulgada pelo BC na última quinta-feira.

A discrepância refletiu principalmente uma elevação da posição dos bancos frente ao dado preliminar usado pelo BC, disse Lopes.

Colaborou Renata de Freitas

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