Governo tira redução do INSS da reforma tributária, diz Paulinho

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008 21:11 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo vai retirar da proposta de reforma tributária que encaminha quinta-feira ao Congresso a redução da contribuição patronal à Previdência, disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, após reunião das centrais sindicais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira.

"O presidente pediu para o ministro (da Fazenda, Guido) Mantega que ele reveja essa questão. O que ficou definido é que ela não irá para o Congresso junto com a reforma", disse Paulinho a jornalistas.

Segundo o deputado e dirigente sindical, "o que pegou" para as centrais foi a proposta de desonerar a folha de pagamento com a redução gradual da contribuição patronal à Previdência Social a partir de 2010.

"A proposta de redução de 1 por cento até 2016 significa tirar da folha das empresas 6 por cento em seis anos. Isso nos preocupa porque a Previdência Social é sustentada por esse recurso", afirmou Paulinho.

A contribuição dos empregadores ao INSS é de 20 por cento e a dos trabalhadores varia de 8 a 11 por cento.

"À medida que você tira 6 por cento e não diz de onde virá esse recurso, apenas apostando no crescimento do país e na redução da informalidade, isso não garante a arrecadação da Previdência", disse o dirigente da Força Sindical.

Para Paulinho, sem ter como garantir a arrecadação, o governo teria que no futuro anunciar uma nova reforma para tirar direitos dos aposentados.

"Não concordamos com isso", disse. resumindo a posição que as centrais levaram a Lula.

Ainda de acordo com Paulinho, Lula vai se reunir com os empresários para tratar dessa questão, e defendeu mais debate com as centrais.

"Não podemos permitir que cerca de 30 bilhões de reais saiam da Previdência e não tenha nada para repor."

(Texto de Mair Pena Neto, Edição de Eduardo Simões)