25 de Outubro de 2007 / às 19:17 / 10 anos atrás

ANÁLISE-Novo governo argentino herdará crise energética

Por Cesar Illiano

BUENOS AIRES (Reuters) - O próximo governo da Argentina terá que considerar aumentos nos preços de gás natural e energia elétrica logo após tomar posse, em dezembro, para evitar que a crise energética vista recentemente se repita.

O presidente Néstor Kirchner evitou blecautes em massa às vésperas da eleição presidencial marcada para 28 de outubro impondo restrições ao consumo de energia no setor industrial da terceira maior economia da América Latina. O país enfrenta problemas de oferta devido ao seu rápido crescimento econômico e a anos de falta de investimento no aumento da capacidade de produção.

Pesquisas sugerem que Kirchner será sucedido por sua mulher, a senadora Cristina Fernándéz de Kirchner, que já descartou aumentos significativos na tarifa de energia, dizendo que movimentos nos preços serão graduais.

O novo governo toma posse em 10 de dezembro, mês em que normalmente o consumo de energia aumenta na Argentina em razão do maior uso de ar-condicionado durante o verão. Especialistas prevêem uma repetição dos problemas vistos durante o inverno deste ano --o pior em mais de quatro décadas.

"Para encorajar o investimento privado no setor, um aumento significativo da tarifa, combinado a uma eliminação de um limite sobre os preços de energia, é vital", disse Ana Ares, diretora da agência de classificação de risco Fitch no país.

INVESTIMENTO BAIXO

O baixo investimento em energia durante a recessão de quatro anos iniciada em 1999 deixou o país sem capacidade para responder ao salto da demanda resultante da recuperação vista desde 2003.

Analistas dizem que congelamentos dos preços agravaram o problema ao ajudar a conter os investimentos.

Eles também são custosos. O governo paga vários bilhões de dólares em subsídios às empresas para compensar o custo extra de usar o diesel ou combustível para aquecimento para substituir o gás natural.

Mas o orçamento de 2008 do governo inclui a continuidade desses subsídios, sugerindo que mudanças radicais nos atuais preços de energia são improváveis.

O governo de Kirchner rejeitou acusações de lentidão em projetos energéticos e culpou o crescimento. A Argentina deve completar em 2007 seu quinto ano seguido de expansão acima de 8 por cento.

O ex-ministro da Economia de Kirchner, Roberto Lavagna, que agora concorre à Presidência, acusa o presidente de reagir devagar demais.

"Uma boa resposta teria sido uma iniciativa de racionamento de energia, como foi feito 10 ou 15 anos atrás na Califórnia, como fizeram no Brasil há cinco anos e como fazem na China", disse Lavagna durante sua campanha.

DEMANDA EXCESSIVA

O problema da energia é visto como uma das maiores ameaças à continuidade do crescimento econômico argentino. O impacto das maiores importações de combustível e das menores horas trabalhadas na indústria no inverno já deixaram suas marcas.

A produção industrial de julho ficou abaixo das expectativas, refletindo uma menor atividade no setor de aço em razão das restrições de energia.

Cidades sofreram blecautes à medida que cabos tiveram superaquecimento em razão da demanda excessiva. Além disso, fazendeiros lutam para ter diesel suficiente para as colheitas de milho e soja.

Kirchner preferiu enfrentar esses inconvenientes a elevar as tarifas. A recuperação econômica do país tem sido puxada pelo gasto do consumidor e um aumento na tarifa corroeria o poder de compra.

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