ANÁLISE-Novo governo argentino herdará crise energética

quinta-feira, 25 de outubro de 2007 17:16 BRST
 

Por Cesar Illiano

BUENOS AIRES (Reuters) - O próximo governo da Argentina terá que considerar aumentos nos preços de gás natural e energia elétrica logo após tomar posse, em dezembro, para evitar que a crise energética vista recentemente se repita.

O presidente Néstor Kirchner evitou blecautes em massa às vésperas da eleição presidencial marcada para 28 de outubro impondo restrições ao consumo de energia no setor industrial da terceira maior economia da América Latina. O país enfrenta problemas de oferta devido ao seu rápido crescimento econômico e a anos de falta de investimento no aumento da capacidade de produção.

Pesquisas sugerem que Kirchner será sucedido por sua mulher, a senadora Cristina Fernándéz de Kirchner, que já descartou aumentos significativos na tarifa de energia, dizendo que movimentos nos preços serão graduais.

O novo governo toma posse em 10 de dezembro, mês em que normalmente o consumo de energia aumenta na Argentina em razão do maior uso de ar-condicionado durante o verão. Especialistas prevêem uma repetição dos problemas vistos durante o inverno deste ano --o pior em mais de quatro décadas.

"Para encorajar o investimento privado no setor, um aumento significativo da tarifa, combinado a uma eliminação de um limite sobre os preços de energia, é vital", disse Ana Ares, diretora da agência de classificação de risco Fitch no país.

INVESTIMENTO BAIXO

O baixo investimento em energia durante a recessão de quatro anos iniciada em 1999 deixou o país sem capacidade para responder ao salto da demanda resultante da recuperação vista desde 2003.

Analistas dizem que congelamentos dos preços agravaram o problema ao ajudar a conter os investimentos.   Continuação...