March 25, 2008 / 10:56 PM / 9 years ago

Empresas dizem que Cesp ainda interessa, mas a preço adequado

4 Min, DE LEITURA

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - Empresas que desistiram de participar do leilão de privatização da Cesp reafirmaram nesta terça-feira interesse na maior geradora de energia do Estado de São Paulo, mas cobraram um preço mais adequado ao risco embutido no negócio.

A incerteza quanto às condições de renovação das concessões de duas importantes usinas que compõem o complexo gerador da Cesp --Ilha Solteira e Jupiá-- foi o principal impeditivo ao depósito das garantias, que deveria ter ocorrido até o meio-dia desta terça-feira, apontaram as empresas.

"Os ativos de geração da Cesp têm grande interesse estratégico", informou em nota a Alcoa, uma das pré-identificadas para o leilão que aconteceria na quarta-feira.

"Continuamos acompanhando com viva atenção a evolução do processo de venda da empresa; uma vez solucionada satisfatoriamente a questão da extensão das concessões, a privatização certamente ganhará melhor perspectiva."

Para o presidente do Conselho da Tractebel Energia, Mauricio Bahr, "a Cesp faz todo o sentido para o plano de expansão do grupo". Ele cobra, no entanto, uma definição regulatória que não interfira na precificação da empresa.

O grupo de origem francesa acredita que o governo paulista possa conseguir uma solução para renovação das concessões em condições claras, que permitam uma definição melhor do preço.

O governo paulista tinha estabelecido em 6,6 bilhões de reais a fatia de controle na empresa, mas o negócio ultrapassaria os 22 bilhões de reais considerando-se a oferta aos acionistas minoritários e dívidas da estatal. Para analistas, o preço era justo. Para os potenciais investidores, ele não descontava os riscos embutidos.

Ainda Na Mira

A Energias do Brasil, também pré-identificada para o leilão, confirmou que a Cesp continua sendo de interesse do grupo de origem portuguesa, tendo desistido do negócio em função do risco elevado.

"A decisão está baseada em diversos fatores, entre os quais elevados riscos e incertezas decorrentes do desconhecimento das condições econômicas e administrativas relativas à possibilidade de renovação das concessões das hidrelétricas", informou em nota.

A empresa destacou ainda o desconhecimento do exato dimensionamento das contingências associadas a alguns dos ativos, em particular às contingências ambientais de Porto Primavera.

A CPFL Energia também destacou que o interesse pela Cesp "sempre considerou a expectativa de renovação dos contratos de concessão" das hidrelétricas --daí a desistência de depositar as garantias nesta terça-feira.

"A CPFL Energia, no entanto, continuará acompanhando e avaliando essa e outras oportunidades existentes no mercado que estejam alinhadas com sua estratégia de crescimento", apontou nota da empresa assinada pelo presidente, Wilson Ferreira Jr., que frisou o interesse no segmento de geração.

Também tinha se apresentado originalmente como interessada no leilão da Cesp a Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola, que foi a primeira a informar que havia desistido do leilão por incertezas em relação à renovação das concessões.

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