26 de Março de 2008 / às 00:26 / 9 anos atrás

Compra da Xstrata falha, mas Vale deixa "porta aberta"

<p>Logotipo da mineradora anglo-su&iacute;&ccedil;a Xstrata, na sede da empresa em Zug, Su&iacute;&ccedil;a. Sem conseguir um acordo para comprar a mineradora Xstrata, a Vale anunciou que encerrou as negocia&ccedil;&otilde;es para a aquisi&ccedil;&atilde;o da Xstrata. Photo by Michael Buholzer</p>

Por Roberto Samora e Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - Sem conseguir um acordo para comprar a mineradora Xstrata, a Vale anunciou nesta terça-feira que encerrou as negociações para a aquisição da companhia anglo-suíça. Mas a gigante brasileira sinalizou que pode fazer nova tentativa mais para frente.

"Não é bom nem para eles nem para nós ficar com a operação em suspenso", disse a jornalistas o presidente da Vale, Roger Agnelli, após a divulgação do anúncio da empresa. "Por ora, está bom do jeito que está. Quando tiver que retomar, a porta está aberta."

Agnelli negou que o fim das negociações tenha sido motivado por problemas de financiamento para a operação. Segundo ele, a questão central foi a comercialização do minério.

"Nós não estamos precisando comprar e eles não estão precisando vender", resumiu. Ele ressaltou que a Vale conversa com outras empresas e tem interesse em companhias nas áreas de cobre e carvão.

No comunicado que anunciou o fim das negociações, a Vale disse avaliar que sua oferta pela Xstrata "criaria considerável valor para os acionistas de ambas empresas", o que foi repetido pela companhia anglo-suíça.

"Embora a Vale e a Xstrata continuem a acreditar que a combinação das duas companhias poderia representar um valor significativo a seus acionistas, nós não fomos capazes de alcançar um acordo. Decidimos mutuamente, portanto, encerrar as discussões", afirmou o presidente-executivo da Xstrata, Mick Davis, em uma nota.

A Vale havia feito uma oferta para adquirir 100 por cento da Xstrata, e o pagamento seria feito em dinheiro e ações.

Além da declaração de Agnelli, a sinalização de uma possível nova investida aparece também no comunicado divulgado pela Vale.

A mineradora afirmou que dentro da Regra 2.8 do City Code on Takeovers and Mergers, do Reino Unido, reserva-se "o direito de anunciar uma oferta ou possível oferta, ou ainda fazer ou participar de uma oferta ou possível oferta pela Xstrata", dentro de algumas condições, caso haja recomendação positiva ou acordo com o Conselho de Administração da Xstrata.

Isso poderia ocorrer dentro do prazo de seis meses.

A Vale afirmou ainda no comunicado que se reserva o direito de fazer uma proposta caso haja um anúncio de "possível oferta ou firme intenção de uma oferta por terceiros pela Xstrata ou a Xstrata anuncie que recebeu uma proposta ou foi consultada por uma terceira parte para uma possível proposta".

O direito de realizar uma oferta também valeria se a Xstrata anunciar "uma operação reversa de compra (reverse takeover) ou uma operação whitewash, dentro da Regra 9 do City Code; ou caso haja uma mudança material nas atuais circunstâncias".

SEM CONCESSÕES

Mais cedo, em outro evento, Agnelli já havia afirmado que a negociação estava difícil de ser finalizada porque as duas empresas não queriam abrir mão de algumas questões que consideram fundamentais, como o direito de comercialização sobre os produtos.

"A Xstrata é uma tremenda empresa gerida por um grande profissional que é o Mike Davis, a Glencore é uma grande trading gerida por um cara muito especial, que é o Ivan (Glasenberg), eles não gostam de ceder em nada. Eu não sou tão brilhante assim, mas também não gosto de ceder...", disse Agnelli.

A Glencore é a principal acionista da Xstrata .

Para Cristiane Viana, analista de mineração da Ágora Corretora, o fracasso do negócio se deveu a questões específicas e não representa uma tendência.

"O acordo basicamente falhou devido a irreconciliáveis diferenças entre a principal acionista da Xstrata, a Glencore, e a Vale sobre os direitos de comercialização dos metais das companhias", disse a analista. "Não vejo o fracasso da compra como um indicativo de uma tendência mais ampla, como o fim da consolidação no setor."

Reportagem adicional de Aluísio Alves e Reese Ewing; texto de Alexandre Caverni

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