25 de Abril de 2008 / às 10:27 / 9 anos atrás

RPT-Lucro da VALE despenca 55,8% por câmbio e preços

(Repete texto publicado na noite da véspera)

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 25 de abril (Reuters) - O lucro da gigante Vale (VALE5.SA) despencou 55,8 por cento no primeiro trimestre deste ano contra igual período de 2007, para 2,25 bilhões de reais pelas regras contábeis brasileiras, enfraquecido pela valorização do real e por preços médios mais baixos do níquel e do alumínio.

"A apreciação do real frente ao dólar americano contribuiu para uma redução de 1,840 bilhão de reais frente ao primeiro trimestre de 2007, a variação no preço dos metais gerou impacto negativo de 793 milhões de reais", justificou a empresa nesta quinta-feira em um comunicado.

O resultado financeiro do trimestre ainda não reflete os aumentos expressivos nos preços do minério de ferro fechados pela Vale, que passaram a valer somente a partir de 1o de abril.

A Vale conseguiu fechar com seus clientes elevações dos preços do minério de ferro da ordem de 65 a 71 por cento, e de pelotas, de 86,6 por cento.

A empresa, no entanto, bateu recorde de vendas de minério de ferro, com 74,645 milhões de toneladas, alta de 14,2 por cento em relação ao primeiro trimestre de 2007. Os embarques de alumínio também foram recordes, em 136 mil toneladas, informou a companhia em um comunicado na quinta-feira.

Já pelas normas contábeis norte-americanas, a companhia obteve lucro de 2,02 bilhões de dólares, contra os 2,2 bilhões de dólares registrados no primeiro trimestre de 2007, uma queda de 8,8 por cento, em linha com o que esperavam os analistas.

"Não parece mal. O lucro líquido veio muito em linha com o que nós esperávamos, e certas coisas, como a margem Ebitda, atingiu as expectativas, o que é muito bom", declarou um analista de um grande banco estrangeiro que não quis ser identificado.

"A receita foi mais fraca do que esperávamos, então temos que analisar com mais profundidade esses detalhes", acrescentou ele.

A receita foi 12,5 por cento menor do que a verificada de janeiro a março de 2007, somando 14,569 bilhões de reais.

O aumento do volume vendido no período contribuiu com 553 milhões de reais na receita.

O lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações, conhecido pela sigla em inglês Ebitda, foi de 6,6 bilhões de reais, queda de 25,7 por cento em relação ao resultado do ano passado, de 8,9 bilhões de reais.

CUSTO AUMENTA

O custo dos produtos vendidos cresceu 3,7 por cento na comparação com o primeiro trimestre de 2007, informou a Vale, destacando entre outros fatores as multas pagas pelo atraso de carregamento de navios no porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, no valor de 111 milhões de reais.

O aumento de custo contribuiu para a queda de 34,1 por cento do lucro operacional, para 5,3 bilhões de reais, assim como para a redução a receita líquida e o aumento das despesas operacionais, da ordem de 365 milhões de reais.

A China permaneceu como principal destino das vendas da Vale, representando 16,7 por cento da receita, seguida pelo Brasil, com 16,2 pro cento; Japão, com 10,5 por cento; Estados Unidos com 10,5 por cento; Alemanha com 6,5 por cento e Canadá com 5 por cento.

Entre os produtos, o minério de ferro continua gerando a maior receita, de 5,2 bilhões de reais no primeiro trimestre, seguido do níquel, que contribuiu com 3,3 bilhões de reais no período. A venda de pelotas garantiu mais 1,4 bilhão de reais, enquanto o cobre rendeu 879 milhões de reais e o alumínio primário, 629 milhões de reais.

A dívida total da Vale, em 31 de março, era de 20,523 bilhões de dólares, ante 19,030 bilhões de dólares em 31 de dezembro de 2007 e 23,480 bilhões de dólares em 31 de março de 2007.

A mineradora avaliou que a economia global está desacelerando, com maior impacto para os Estados Unidos, e que ao contrário das outras crises naquele país a recuperação "não será tão vigorosa". Com isso, a Vale espera um crescimento lento do mercado japonês e da Europa, mas mantém seus projetos de expansão.

"Nosso extenso programa de investimentos em projetos de classe mundial, distribuídos ao redor do mundo, está sendo desenvolvido e esperamos concluir diversos projetos ainda este ano, criando novas plataformas de geração de caixa e valor para os acionistas", concluiu.

No primeiro trimestre do ano, os investimentos da Vale totalizaram 1,695 bilhão de dólares, dos quais 1,304 bilhão de dólares voltados para o crescimento orgânico.

(Reportagem adicional de Andrei Khalip)

Edição de Roberto Samora

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