25 de Março de 2008 / às 18:56 / em 9 anos

Agnelli vê dificuldade com Xstrata porque ninguém cede

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente-executivo da Vale, Roger Agnelli, afirmou nesta terça-feira que a negociação com a mineradora anglo-suíça Xstrata está difícil de ser finalizada porque as duas empresas não querem abrir mão de algumas questões que consideram fundamentais, como o direito de comercialização sobre os produtos.

"A Xstrata é uma tremenda empresa gerida por um grande profissional que é o Mike Davis, a Glencore é uma grande trading gerida por um cara muito especial, que é o Ivan (Glasenberg), eles não gostam de ceder em nada. Eu não sou tão brilhante assim, mas também não gosto de ceder, então a gente tem que ir conversando", disse Agnelli a jornalistas.

A Glencore é a principal acionista da Xstrata .

Após receber o prêmio "Personalidade de Vendas" de 2007, da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), Agnelli afirmou, ao ser questionado se os executivos da Xstrata estariam mais flexíveis, que a questão é "criar um negócio que atenda aos dois".

"Qualquer negociação em qualquer lugar do mundo, para ser bem-sucedida, a parte de lá tem que sair um pouco triste e a parte de cá tem que sair um pouco triste."

Indagado se a Vale abriria mão da comercialização de seus produtos, ele afirmou: "Depende. O que coloco pra você é o seguinte: tem algumas questões de filosofia de negócio que a gente não concorda muito. A questão da comercialização é fundamental".

Segundo o presidente da Vale, "poderia até ter alguns entendimentos em ceder algum tipo de comercialização, mas não é uma questão simples e trivial da forma como está estruturada a Xstrata", uma vez que a principal acionista é a trading Glencore, responsável pela comercialização de parte importante dos produtos da mineradora anglo-suíça.

XSTRATA NÃO É PRIORIDADE

Agnelli afirmou ainda que a compra da mineradora anglo-suíça não é uma prioridade para a companhia brasileira.

"A gente está conversando, mas não é uma coisa que é uma prioridade para a Vale."

"Estamos no estágio em que sempre estivemos. Namoro é namoro, até chegar no casamento demora muito. Estamos preparados para fazer a aquisição, mas não vamos abrir mão do que é fundamental pra nós, que é gerar valor para o acionista", acrescentou.

Após insistência dos jornalistas, que perguntaram se houve algum avanço nas conversas durante os últimos dias, Agnelli declarou: "Você tem avanço pra frente e avanço pra trás, então teve avanço, se for nesse sentido pode ter tido avanço. Ou pra frente ou pra trás teve avanço".

O palmeirense Agnelli, que além do prêmio da ADVB recebeu durante o evento uma camisa do Palmeiras assinada pelos jogadores (um presente de um diretor do clube), discordou da opinião de alguns analistas de que a turbulência nos mercados e a queda do valor das ações da Vale nos últimos dias afetaram negativamente as negociações com a Xstrata.

"Qualquer volatilidade do mercado não afeta uma negociação desse tamanho. O valor não é determinado pelo preço do dia, é determinado pelo valor intrínseco da companhia e pela capacidade de geração de caixa."

Ele também buscou minimizar a recente queda nos futuros das commodities de maneira geral, afirmando que a demanda continua firme, principalmente na Ásia, além de ressaltar que o minério de ferro, o principal produto da Vale, não é negociado em bolsa.

"As commodities ainda estão acima do preço de fechamento de 2007. A demanda está forte, então a prioridade da Vale é atender a demanda", disse, cerca de um mês após conseguir aumento de até 71 por cento para os contratos de minério de ferro em 2008 em relação ao ano anterior.

"Alguns me perguntam se o ciclo de alta das commodities já acabou. Acho que não, acho que estamos nele e que vamos continuar nele por um bom tempo", acrescentou o executivo.

Nesse contexto, ele afirmou também que a Xstrata "não é a única oportunidade" de negócio para a Vale, sem dar mais detalhes. Questionado sobre qual seria essa empresa, Agnelli disse que "seria alguma que complemente o lado estratégico da Vale".

Edição de Denise Luna

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