Produção da CSA continua focada no mercado externo--presidente

terça-feira, 25 de março de 2008 14:24 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 25 de março (Reuters) - O projeto da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) não será alterado e a produção da usina continua sendo direcionada ao exterior, apesar da preocupação do governo federal com uma eventual escassez de aço no mercado interno diante de demanda aquecida, afirmou o presidente da companhia, Aristides Corbeline, nesta terça-feira.

"O governo não está só preocupado com isso. Está preocupado em gerar emprego e divisa. Nossas exportações vão gerar mais de 1 bilhão de dólares na balança de pagamentos. Abastecimento é apenas um dos fatores (...) Nosso governo não está mais em uma economia dirigida", afirmou o executivo a jornalistas em evento na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

"Nosso projeto tem cem por cento de apoio do governo federal e é um projeto voltado para a exportação. Ele (o projeto) foi concebido assim e é assim que está sendo conduzido", acrescentou Coberline ao destacar que a CSA prevê uma exportação de 5 milhões de placas de aço ao ano.

O governo está avaliando a possibilidade de conceder estímulos para investimentos em setores importantes da economia, como automotivo, aço e cimento, para evitar um descasamento entre oferta e demanda. Os benefícios devem estar previstos no conjunto de medidas de política industrial que o governo deve anunciar em cerca de duas semanas.

O executivo destacou que das 5 milhões de toneladas de aço que serão exportadas pela CSA, 2 milhões de toneladas têm como destino o mercado europeu e os outros 3 milhões serão vendidas na região do Nafta (Canadá, Estados Unidos e México). "Acho que uma desaceleração econômica nos EUA não afeta (o projeto da CSA) porque o consumidor final não é os EUA apenas", disse Coberline.

Segundo o executivo, a CSA está "totalmente dentro do cronograma. Vai ser inaugurada em março (de 2009), nem antes, nem depois".

A CSA é resultado de joint-venture entre a alemã ThyssenKrupp (TKAG.DE: Cotações) e a Vale (VALE5.SA: Cotações). A Thyssen detém participação de 90 por cento no projeto, enquanto a Vale possui os 10 por cento restantes.

Coberline afirmou que o projeto siderúrgico sendo avaliado por Usiminas USIM5.SA com a Nippon Steel 5401.T, segundo maior grupo de aço do mundo, é de produção placas de aço da mesma qualidade que as que serão fabricadas pela CSA, mas isso não vai interferir no andamento do projeto em Itaguaí, litoral do Rio de Janeiro.

"No setor siderúrgico, os projetos são de longa duração. Não se muda um projeto de 3 bilhões de euros porque se anuncia um negócio que não tem novidade nenhuma", acrescentou Coberline comentando notícia publicada nesta terça-feira pelo diário japonês Nikkei de que a Nippon Steel planeja gastar entre 5 bilhões e 6 bilhões de dólares na construção de instalações siderúrgicas no Brasil em parceria com a Usiminas.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Alberto Alerigi Jr.)