25 de Junho de 2008 / às 12:29 / 9 anos atrás

BC vê inflação acima do centro da meta em 2008 e 2009

Por Renato Andrade

SÃO PAULO (Reuters) - A inflação brasileira deve superar o centro da meta em 2008 e 2009, de acordo com as novas projeções do Banco Central contidas no Relatório de Inflação do segundo trimestre, o que reforça as expectativas de continuidade do aperto da política monetária.

No relatório divulgado nesta quarta-feira, o BC vê uma alta de 6,0 por cento para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008, ante estimativa anterior, feita no relatório do primeiro trimestre, de 4,6 por cento.

A nova projeção está próxima da estimativa feita pelo mercado, que espera uma alta de 6,08 por cento para o IPCA este ano, de acordo com pesquisa feita pelo próprio BC com analistas e empresas do país, divulgada no início da semana.

A estimativa do Banco Central para a inflação em 2009 é de 4,7 por cento, ante projeção de 4,4 por cento feita no relatório divulgado em março.

O dado também é similar à variação estimada pelo mercado, que espera um alta de 4,78 por cento para a inflação no próximo ano.

A meta de inflação fixada para os anos de 2008 e 2009 é de 4,5 por cento, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

De acordo com os cálculos do BC, a inflação deverá atingir um pico no terceiro trimestre deste ano, ao atingir o patamar de 6,3 por cento. A partir daí, os índices de preços devem começar a se arrefecer, desacelerando ao longo do próximo ano.

“Cabe destacar que o recuo da projeção de inflação ao longo de 2009 reflete essencialmente o fato de as expectativas de inflação, tanto para 2009 quanto 2010, encontrarem-se abaixo das expectativas para o ano corrente”.

No relatório, o BC deixa claro sua preocupação com a aceleração dos preços ao longo dos últimos meses, o que forçou o Comitê de Política Monetária (Copom) a elevar a taxa básica de juro em 1 ponto percentual desde abril.

“Desde janeiro, a taxa (do IPCA) em doze meses situa-se acima do centro da meta, e o desvio vem aumentando desde então”, afirma o BC no documento.

Mais uma vez, o aquecimento da demanda doméstica foi apontado pelo BC como o principal fator por trás desse avanço dos preços no país.

“Essa dinâmica se deve ao descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e da oferta em contexto de pressões --observadas em escala global-- nos preços das commodities agrícolas”, mostra o relatório.

O IPCA, índice que baliza a política de metas de inflação, registrou alta de 0,79 por cento no mês passado, o maior avanço para meses de maio desde 1996.

No acumulado em 12 meses, o índice registrou avanço de 5,58 por cento, mais de um ponto percentual acima do centro da meta fixada para o ano.

O BC informou ainda no relatório que manteve em 4,8 por cento sua estimativa para a taxa de crescimento da economia brasileira em 2008.

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