Amorim compara etanol a colesterol e diz que o de cana é o bom

sexta-feira, 25 de abril de 2008 13:45 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em meio a discussões sobre o impacto dos biocombustíveis na oferta de alimentos no mundo, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, fez uma analogia entre o etanol e o colesterol, indiretamente criticando a produção do combustível a partir de cereais.

"Etanol é como colesterol. Tem colesterol bom e colesterol ruim. O etanol de cana é o colesterol bom", afirmou o ministro.

A produção de biocombustíveis tem sido criticada por organismos internacionais como um fator de elevação dos preços dos alimentos e de redução da oferta global.

Países no hemisfério norte, onde o clima não permite a produção em larga escala de cana-de-açúcar, utilizam cereais como milho e trigo para produzir etanol.

"O colesterol bom salva. O etanol de cana-de-açúcar, utilizando terras que não estão sendo destinadas a culturas como arroz, milho, trigo, é a solução. Contribui para menor emissão de CO2 e dá emprego", afirmou Amorim durante palestra no Coppe, instituto ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. "É preciso reverter essa idéia de que o biocombustível é um crime contra a humanidade", afirmou, acrescentando que a produção de combustíveis renováveis pode ser uma solução para os países pobres como o Haiti, "que vive de migalhas internacionais".

Amorim aproveitou a polêmica para criticar os subsídios dos países desenvolvidos ao setor rural, que segundo ele impedem maior produção de alimentos em países como os da África. "As pessoas dizem que os biocombustíveis estão impedindo os alimentos, mas não é na África, porque lá eles não estão produzindo alimentos nem biocombustíveis por causa dos subsídios dos países ricos", afirmou.

"A contribuição dos países ricos para o problema da fome é eliminar os escandalosos subsídios agrícolas. A Rodada de Doha é uma oportunidade para isso", concluiu.

 
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