25 de Setembro de 2008 / às 21:56 / 9 anos atrás

ATUALIZA2-Alckmin mantém críticas a Kassab; Quércia reage

(Texto atualizado com declarações do ex-governador Orestes Quércia)

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 25 de setembro (Reuters) - O candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, ignorou nesta quinta-feira recomendação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e disse que continuará enfrentando o prefeito e candidato Gilberto Kassab (DEM) para chegar ao segundo turno.

“Agora no primeiro turno todo mundo deve se esforçar para chegar no segundo turno. Eleição é disputa, todos estão concorrendo e estou trabalhando para que o PSDB chegue no segundo turno junto com o PT”, disse Alckmin a jornalistas, após debate na Associação Paulista de Magistrados, ao ser questionado sobre as declarações de FHC.

Nesta manhã, Fernando Henrique sinalizou que é contrário aos ataques de Alckmin contra Kassab e afirmou que a disputa deve ser travada com o PT. “Agora, é hora de pensar em vencer o PT”, avisou FHC.

Kassab concordou com as opiniões do ex-presidente. “Tem sido esta a minha conduta. A prioridade é apresentar propostas. O presidente Fernando Henrique, com sua maturidade e sua experiência, possivelmente deve ter sinalizado nesta direção que é a nossa sinalização permanente”, afirmou o prefeito a jornalistas durante evento de campanha.

“QUÉRCIA-PITTA”

Alckmin manteve na tarde desta quinta-feira a tentativa de identificar a candidatura de Kassab com o ex-prefeito Celso Pitta, que deixou o posto debaixo de escândalo, e com o presidente do PMDB paulista e ex-governador Orestes Quércia, que compõe a coligação de apoio ao prefeito.

“O Quércia é problema do Kassab. A chapa do Kassab é uma chapa Quércia-Pitta porque o Quércia apóia o Kassab, indicou a vice e ambos, o Kassab e a vice, foram secretários do Pitta”, disparou Alckmin, referindo-se a Alda Marco Antonio, do PMDB.

O candidato negou que tenha pedido o apoio de Quércia antes do início do primeiro turno e disse que sua campanha é que foi procurada pelo peemedebista.

“Aliás, conversar com as pessoas não tem problema nenhum. Diria até que se dependesse do PMDB eu acho que a maioria gostaria de ficar conosco. O Quércia é que acabou fazendo uma opção pelo outro lado”, declarou.

DESESPERO, DIZ QUÉRCIA

Quércia confirmou à Reuters que foi procurado por Alckmin e seus emissários em busca de aliança no primeiro turno e disse que as agressões do tucano são fruto de desespero.

“É desespero. Ele já perdeu eleição. Ele sabe que perdeu”, disse Quércia.

O ex-governador afirmou que vai processar Alckmin por tê-lo acusado esta semana de ter quebrado o Estado de São Paulo em sua gestão, de 1987 a 1991.

“Já contratei advogado e dei procuração para o processo, que será de calúnia e difamação”, afirmou.

Alckmin considera que Quércia sairá derrotado. “Ele pode me processar à vontade”, disse, enumerando ações similares que o governador teria perdido.

Em relação a um possível apoio do PMDB no segundo turno, Alckmin disse apenas que quer os votos de “todos os eleitores” e que “comando de voto no segundo turno é mínimo”.

Desde que Alckmin e Kassab apareceram empatados em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, aumentando a indefinição sobre quem irá ao segundo turno enfrentar Marta, o tucano tem elevado as criticas ao prefeito, que segue a estratégia de não revidar.

Edição de Mair Pena Neto

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