June 25, 2008 / 6:36 PM / in 9 years

BC vê 25% de chance de inflação estourar a meta do ano

4 Min, DE LEITURA

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central afirmou nesta quarta-feira ver uma probabilidade de 25 por cento de a inflação brasileira superar o teto da meta de 6,5 por cento em 2008, mas frisou que fará "o necessário, enquanto for necessário" para domar os preços.

A avaliação foi feita durante divulgação do Relatório de Inflação do segundo trimestre, em um dia em que a inflação deu novas evidências de aceleração no país.

"O importante, especialmente nesse momento, diante de pressões inflacionárias que se acumulam, é que a sociedade tenha bem claro que o Banco Central fará o necessário, enquanto for necessário, para manter a inflação alinhada à trajetória das metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional", afirmou o diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, em entrevista à imprensa.

Questionado sobre o período de tempo que isso poderia significar, Mesquita afirmou: "um período razoável de tempo".

No relatório, o BC elevou para 6 por cento sua estimativa para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008, ante projeção anterior de 4,6 por cento, e aumentou de 4 por cento para 25 por cento a probabilidade de os preços subirem além do teto da meta.

O CMN fixou em 4,5 por cento a meta de inflação para 2008 e 2009, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

O prognóstico do BC leva em conta juros estáveis em 12,25 por cento ao ano, taxa de câmbio em 1,65 real e foi construído com as informações disponíveis para o BC até 13 de junho.

Nesta manhã, o IPCA-15 de junho surpeendeu negativamente o mercado ao subir 0,90 por cento, frente a uma expectativa de 0,78 por cento, segundo mediana de analistas consultados pela Reuters.

Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, o tom do relatório veio em linha com o esperado e reforçou visão de que o BC elevará o juro em julho em 0,5 ponto pela terceira vez consecutiva caso não haja surpresas mais significativas ao longo das próximas semanas.

"O Banco Cental tentou passar a visão de que está com controle da inflação e confortável com o ritmo de aperto de 50 pontos", afirmou Schahin.

Demanda X Oferta

Mesquita afirmou que o descasamento entre a oferta e a demanda na economia brasileira é "o principal risco que o Banco Central vislumbra no cenário inflacionário".

"A demanda doméstica cresce a um ritmo bastante superior ao ritmo do produto", afirmou o diretor.

Ele frisou que, apesar de o investimento estar crescendo a taxas "bastante respeitáveis", a maturação desses investimentos não foi suficiente, até o momento, para aliviar as pressões inflacionárias e o uso da capacidade instalada das empresas permanece em patamares elevados.

Para que esse alívio seja sentido, "é possível que tenhamos que assistir a uma elevação da taxa de investimento em relação ao PIB", afirmou Mesquita.

A taxa de investimento no Brasil está em torno de 20 por cento, afirmou o diretor, lembrando que, em outras economias comparáveis da região, essa proporção é mais próxima de 25 por cento.

O BC estima que a inflação seguirá em alta até o terceiro trimestre deste ano, quando atingirá o pico de 6,3 por cento em 12 meses. Os preços então começarão a desacelerar, e fecharão 2009 em 4,7 por cento, acima da meta central do BC de 4,5 por cento.

Edição de Renato Andrade

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