Japão tem déficit comercial e perspectiva do BC é de cautela

quinta-feira, 25 de setembro de 2008 08:31 BRT
 

Por Tetsushi Kajimoto and Hideyuki Sano

TÓQUIO, 25 de setembro (Reuters) - A balança comercial do Japão registrou em agosto seu maior déficit efetivo em mais de 25 anos, à medida que as exportações para os Estados Unidos tiveram queda recorde, enfatizando a visão dos economistas de que o Japão está em recessão.

Excluindo janeiro, quando as exportações japonesas tendem a cair com a menor atividade industrial por conta dos feriados de Ano Novo, esse foi o primeiro déficit desde 1982, quando o Japão estava sentindo as consequências da crise do petróleo.

Com a economia do Japão, dependente de exportações, sofrendo com a forte alta dos preços do petróleo e a desaceleração das exportações, um dos membros do Banco do Japão alertou para uma maior turbulência econômica nos EUA, e disse esperar que a economia japonesa não mostre sinais de recuperação até a segunda metade de 2009.

"A demanda, não somente dos EUA mas também da Europa e da Ásia, está oscilando, e isso deve continuar no mínimo até o fim deste ano fiscal", disse Satoru Ogasawara, estrategista do Credit Suisse.

As exportações aumentaram 0,3 por cento em agosto, em comparação com mesmo período do ano passado, menor que a mediana das previsões de aumento de 2,4 por cento, mostraram dados do Ministérios das Finanças nesta quinta-feira.

As importações subiram 17,3 por cento, frente o aumento esperado de 21,1 por cento, à medida que o valor das importações de petróleo atingiu uma alta recorde, trazendo a balança comercial do Japão para um déficit de 324 bilhões de ienes (3,06 bilhões de dólares), contra um déficit esperado de 400 bilhões de ienes.

As exportações têm perdido força neste ano, à medida que a crise de hipotecas, que já dura mais de um ano, tem dominado os mercados financeiros norte-americanos, assim como os europeus e asiáticos, atingindo a principal base da economia do Japão, a segunda maior economia do mundo.

"A economia japonesa está se enfraquecendo", disse Kazuyuki Sugimoto, vice-ministro das Finanças, em entrevista à imprensa. "Nós vamos olhar de perto o desenrolar econômico".   Continuação...