Coréia do Sul quebra tabu e compra milho transgênico pela 1a vez

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 13:45 BRT
 

Por Angela Moon

SEUL, 26 de fevereiro (Reuters) - A Coréia do Sul comprou pela primeira vez milho geneticamente modificado para produção de alimentos, visando garantir preços menores no mercado local, mesmo correndo o risco de receber críticas de consumidores.

Com as altas recordes dos preços globais do trigo, milho e outros alimentos levando os governos a ficarem mais nervosos com a oferta e a inflação, o debate sobre a segurança de safras transgênicas adquire nova urgência.

Na terça-feira, a Coréia do Sul, um dos únicos dois países na Ásia que continuavam processando apenas milho não-transgênico, apesar de ser mais caro, informou que importou em maio 50 mil toneladas de milho genticamente modificado dos Estados Unidos para produção de amido e xarope.

Fontes comerciais disseram que a decisão foi econômica. O milho não-transgênico custa cerca de 50 dólares a tonelada mais do que a variedade geneticamente modificada, fator importante quando se considera que os preços do grão mais do que dobraram nos últimos dois anos.

Mas o transgênico irritou grupos de consumidores, que dizem que ele os expõe a possíveis riscos de saúde, dando eco à resistência européia.

"Se as empresas continuarem com a medida, os grupos vão se juntar e realizar uma campanha para boicotar os produtos desses fabricantes", disse Kim Dae-hoon, porta-voz do ICOOP, maior grupo de consumidores da Coréia do Sul.

A Daesung, a Doosan Corn Products Korea, a Samyang Genex e a Shindongbang CP -- que fornecem quase 90 por cento do amido e xarope de milho da Coréia do Sul -- fecharam um contrato conjunto para a compra.

"Eles decidiram comprar transgênicos para alimentos para evitar um aumento dos preços aos consumidores", disse uma fonte comercial, explicando que os produtores esperam que a questão do preço ajude a neutralizar as críticas de grupos contrários.   Continuação...