Ministro japonês diz que não é hora de convocar eleições

domingo, 26 de outubro de 2008 12:53 BRST
 

Por Linda Sieg

TÓQUIO, 26 de outubro (Reuters) - O ministro de Finanças do Japão pediu neste domingo que o primeiro-ministro Taro Aso não convoque eleições antecipadas, devido à crise financeira global e à necessidade de Tóquio de tomar seus próprios passos para contê-la.

Os boatos são de que Aso possa convocar eleições gerais em 30 de novembro, em uma aposta para interromper a paralisação política causada pelo controle do Senado pela oposição, possibilitando o atraso de leis e a paralisação de medidas políticas.

Mas uma queda acentuada nos preços das ações na bolsa de Tóquio e um salto no fortalecimento do iene, que estão golpeando os lucros dos exportadores à medida que a economia japonesa desliza para a recessão, estão dificultando a decisão.

"Eu disse que se houver ansiedade nos mercados financeiros e acionários e se a incerteza global começar, então nós não teremos espaço para convocar uma eleição", disse o ministro da Economia, Kaoru Yosano, em um programa de TV.

"Nós temos medidas orçamentárias para tomar e na cúpula de líderes mundiais em 15 de novembro, o Japão provavelmente vai receber várias 'lições de casa'", acrescentou. "Se nós tivermos uma eleição enquanto estivermos fazendo nossa 'lição de casa', nós não poderemos fazer nada."

Os Estados Unidos vão sediar uma cúpula de líderes globais sobre a crise financeira em Washington em 15 de novembro.

Questionado se Aso teria a opção de adiar uma eleição até o ano que vem, Yosano respondeu: "Essa opção é bastante possível."

Não deve haver eleições para a Câmara até setembro de 2009.

Analistas disseram que o partido governista pode perder se as eleições acontecerem logo. Mas uma oposição descontente, ávida por uma chance de afastar o Partido Liberal Democrático de Aso, pode atrasar ações políticas se o primeiro-ministro decidir não concorrer à eleição.

O governo japonês está preparando outro pacote de estímulo econômico, esperado para ser divulgado nesta semana, que vai incluir 2 trilhões de ienes (21,21 bilhões de dólares) em redução temporária de impostos, um plano de ajuda a bancos e auxílio a pequenos negócios.