Analistas duvidam de escalada nos confrontos EUA-Paquistão

sexta-feira, 26 de setembro de 2008 12:24 BRT
 

Por Robert Birsel

ISLAMABAD, 26 de setembro (Reuters) - Nem os Estados Unidos nem o seu aliado Paquistão permitirão uma escalada no confronto entre suas forças na fronteira afegã, já que os dois países mantêm, por razões diversas, uma dependência mútua, segundo analistas ouvidos na sexta-feira.

Nas últimas semanas houve vários incidentes militares na fronteira do Paquistão com o Afeganistão. Na quinta-feira, forças paquistanesas fizeram disparos de advertência para dois helicópteros que teriam entrado no espaço aéreo do país --algo que o Pentágono nega. Não houve danos nem feridos.

Por mais alarmante que seja a idéia de uma troca de tiros entre duas potências nucleares, analistas paquistaneses afirmam que dificilmente a hostilidade vai se intensificar, embora seja possível que incidentes se repitam.

"Não espere que o Paquistão e os EUA entrem em guerra, isso não deve acontecer", disse o analista político Hasan Askari Rizvi.

"O Paquistão precisa dos Estados Unidos por razões econômicas, e os EUA precisam do Paquistão para conduzir sua guerra contra o terrorismo no Afeganistão. Ambos reconhecem tal necessidade, mas também tentam maximizar seus ganhos pressionando o outro."

Autoridades norte-americanas dizem que o Taliban e a Al Qaeda usam áreas tribais da etnia pashtun no lado paquistanês da montanhosa fronteira para preparar e lançar ataques no Afeganistão, no próprio Paquistão e até no Ocidente.

Washington sente que Islamabad não está agindo com suficiente empenho contra tal situação, e por isso prioriza bombardeios no lado paquistanês, muitas vezes usando mísseis disparados por aviões teleguiados. Neste mês, soldados norte-americanos levados de helicóptero chegaram a ocupar uma aldeia fronteiriça paquistanesa.

O novo governo paquistanês considera tais ataques --extremamente impopulares-- como uma violação da sua soberania, e o Exército prometeu defender seu território.

"O Paquistão não quer se engajar em um conflito com os EUA", disse o general da reserva Talat Masood, hoje analista de questões militares. "Mas ao mesmo tempo está dizendo 'Por favor, respeitem nossa soberania', e está dando algum tipo de sinal claro, mas tentando ser o mais conciliador possível."