October 27, 2008 / 1:58 AM / in 9 years

CONSOLIDA-Paes agradece apoio de Lula e dedica vitória a Cabral

6 Min, DE LEITURA

RIO DE JANEIRO, 26 de outubro (Reuters) - Na primeira coletiva após o resultado das eleições cariocas, o novo prefeito eleito, Eduardo Paes (PMDB), enfatizou a importância do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno e dedicou a vitória ao governador Sérgio Cabral, idealizador de sua candidatura pelo PMDB.

"O presidente Lula soube superar os obstáculos que eventualmente existiram no passado", disse Paes, no comitê de sua campanha, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste. "O PT foi um partido que caiu inteiro nesta eleição e me ajudou muito neste segundo turno".

Os maiores elogios, entretanto, foram dirigidos a Cabral: "Queria dedicar essa vitória a uma liderança política que mudou o paradigma de como se fazer política neste Estado. O Rio de Janeiro, durante muito tempo, viveu um estilo de fazer político que priorizava o conflito. O governador Sérgio Cabral é a quem dedico essa vitória".

Depois de conversar ao telefone com Gabeira neste domingo à noite, Paes classificou o adversário como "amigo de muito tempo" e garantiu que o verde contribuirá para seu governo. O novo prefeito agradeceu também "a lealdade" de Gabeira durante a disputa.

Sem qualquer ataque a Gabeira, com quem esteve tecnicamente empatado até na pesquisa de boca-de-urna, Paes justificou a divisão dos eleitores como reflexo da qualidade dos adversários no segundo turno: "A população viu o segundo turno entre dois políticos com uma trajetória digna na sua vida pública".

No discurso da vitória, o peemedebista voltou a afirmar que fará um governo popular, voltado para "a população mais carente". Paes prometeu focar investimentos e energias em áreas como educação e saúde. Entretanto, o novo prefeito pregou a união da cidade após o pleito, que se dividiu quase pela metade entre eleitores de Gabeira e de Paes.

"Essa não é uma cidade partida... As divisões acabaram hoje. Nós vamos governar para todos", defendeu o candidato vitorioso.

Nos próximos dias, Paes pretende divulgar os primeiros nomes que integrarão o novo secretariado. Ele não descartou a hipótese de preencher vagas com aliados dos 12 partidos políticos que apoiaram sua candidatura no segundo turno, mas afirmou que exigirá competência. Segundo o peemedebista, a prioridade será a pasta da saúde. A média Jandira Feghali (PCdoB), derrotada no primeiro turno, participou da festa da vitória, mas negou expectativas em relação ao cargo: "Isso não está em discussão".

Sobre o processo de transição, no qual terá que lidar com um grande desafeto político, o atual prefeito Cesar Maia (DEM), Paes minimizou obstáculos: "Tanto eu como o prefeito Cesar Maia somos homens maduros. Tenho certeza de que a transição se dará de forma transparente e aberta".

Na próxima semana, Paes disse que criará uma comissão para o processo de transição e manterá constante diálogo com Cesar Maia.

Gabeira

Fernando Gabeira, por sua vez, disse que mesmo sem ter o governo trabalhará com a sociedade carioca e com a iniciativa privada para atacar alguns problemas da cidade.

"A primeira experiência que vou desenvolver é a campanha contra a dengue, onde penso em aplicar os recursos que foram ironizados, como um programa de computador e uma base aérea de levantamentos para identificar os focos", disse Gabeira, prometendo se articular com os donos de hospitais particulares.

Gabeira se considerou um "intérprete" do povo do Rio, que em sua opinião enviou uma mensagem "não só para seus políticos mas para todos os políticos do Brasil."

Questionado se o episódio da zona oeste foi determinante para sua derrota apertada, Gabeira preferiu considerar que não. Durante a campanha de segundo turno, o candidato do PV foi flagrado ao telefone se referindo à vereadora Lucinha (PSDB), a mais votada da cidade, como pessoa de "visão suburbana" e "analfabeta política".

"Nós fizemos do limão uma limonada", disse Gabeira sobre o episódio, afirmando que Lucinha ficou indignada e se tornou elemento importante para seu crescimento na zona oeste.

Gabeira retomou a questão, alegando que a frase não foi dita aos jornalistas e sim "roubada" de uma ligação.

"Eu também trabalhei na imprensa. No século passado eu faria isso. Mas eu também fui de uma esquerda no século passado que dizia que os fins justificam os meios. Tanto para a mídia quanto para a esquerda nesse caso específico, eu acho que os fins não justificavam os meios", acrescentou.

Reportagem de Carla Marques e Rodrigo Viga Gaier, Edição de Mair Pena Neto

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