CÂMBIO-Semana carregada começa com dólar em queda

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 10:23 BRST
 

SÃO PAULO, 26 de novembro (Reuters) - O dólar operava em baixa nesta segunda-feira, devolvendo parte do salto registrado na última sessão em meio à saída de investidores estrangeiros.

Às 10h23, a moeda norte-americana BRBY recuava 0,55 por cento, para 1,795 real, depois de ter caído 1,16 por cento. Na sexta-feira, o dólar fechou acima de 1,80 real pela primeira vez em um mês, com alta de 1,40 por cento.

O mercado de câmbio começava com relativa tranquilidade uma semana que promete variações intensas. A calma era reflexo do maior apetite pelo risco no exterior, que permitia que o dólar caísse ante as principais moedas dos países emergentes.

Isso ajudava a estancar o movimento de saída que na última sessão fez o dólar disparar mesmo com a alta das bolsas internacionais.

Na sexta-feira, segundo dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros tiveram compras líquidas de cerca de 1,5 bilhão de dólares no mercado futuro.

Esse movimento foi semelhante ao registrado em sessões anteriores, quando muitos desmontaram operações de arbitragem e foram em busca de ativos mais seguros no exterior. Desde o dia 14, quando o dólar caiu para o menor nível desde 2000, as compras líquidas de dólar futuro pelos estrangeiros superaram os 3,5 bilhões de dólares.

Com as compras, os investidores estão se desfazendo de posições no Brasil. Mas, nesta semana, a oferta pública inicial de ações (IPO) da BM&F pode reverter essa tendência ao atrair dólares para o país. As ações da BM&F começam a ser negociadas na sexta-feira.

No entanto, o mercado não espera que essas entradas façam o dólar ter uma queda firme. "A expectativa de que o Tesouro poderá comprar cerca de 10 bilhões de dólares em mercado para formar um fundo soberano... deve manter as cotações pressionadas, especialmente se as tensões externas mantiverem o investidor mais cauteloso", disse Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

Além disso, a volatilidade deve ganhar ainda mais força com a definição, na sexta-feira, da última Ptax (taxa média do dólar) do mês. A taxa é usada como referência para a liquidação de contratos futuros.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Renato Andrade)