September 26, 2008 / 5:42 PM / 9 years ago

Crédito segue em alta no país e alcança 38% do PIB em agosto

4 Min, DE LEITURA

Por Renato Andrade

SÃO PAULO, 26 de setembro (Reuters) - A falta de dinheiro no mercado de crédito internacional não prejudicou o sistema financeiro nacional em agosto, período em que os empréstimos concedidos pelas instituições no país mantiveram-se em alta, atingindo novo patamar recorde.

As operações de crédito em agosto somaram 1,110 trilhão de reais, um aumento de 2,3 por cento em relação a julho e de 31,8 por cento nos últimos 12 meses, mostrou relatório do Banco Central divulgado nesta sexta-feira.

O montante equivale a 38 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, novo recorde. Em julho, o volume de crédito ofertado no sistema brasileiro correspondia a 37,2 por cento de todas as riquezas produzidas no país. Em agosto do ano passado, essa relação era de 32,8 por cento.

"Em agosto, as operações de crédito do sistema financeiro mantiveram a trajetória de expansão observada nos períodos anteriores, evidenciando, entretanto, arrefecimento nas operações destinadas às pessoas físicas", afirmou o BC.

A forte expansão do crédito está na lista das preocupações da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já disse diversas vezes que o ritmo de expansão é exagerado. O Banco Central, por sua vez, pondera que o forte crescimento pode gerar pressões sobre os preços, um obstáculo à tarefa de colocar a inflação de volta na trajetória das metas.

Livre E Solto

As chamadas operações de crédito com recursos livres --que não incluem os financiamentos direcionados e representam 71,9 por cento do total da carteira de crédito do sistema-- cresceram 2,5 por cento de julho para agosto. Nos últimos 12 meses, a expansão foi de 35 por cento.

Os financiamentos contratados pelas pessoas físicas totalizaram 375,2 bilhões de reais, com destaque para as operações de leasing, que cresceram 4,5 por cento.

O avanço do leasing já haviam chamado a atenção do BC, que iniciou em maio um aumento gradual da alíquota do recolhimento compulsório dos bancos sobre operações ligadas esse tipo de financiamento. Para mais informações clique [ID:nN24434238].

Mas o agravamento da falta de recursos nos mercados internacionais fez com que o BC decidisse, nesta semana, interromper temporariamente o processo. Isso garante um fôlego ao mercado de crédito, mas também dá mais gás para o avanço destas operações.

O leasing é uma modalidade de crédito que funciona como um aluguel de equipamentos e veículos em que o tomador tem a opção de compra do produto no final do contrato.

No caso das empresas, as operações de crédito com recursos livres em agosto somaram 348 bilhões de reais, um avanço de 3,6 por cento.

Ao mesmo tempo em que o crédito manteve a tendência de alta, o custo dos empréstimos também não cedeu. A taxa média de juros cobrada pelos bancos em agosto atingiu 40,1 por cento, o maior patamar registrado desde novembro de 2006.

Para as empresas, o juro médio cobrado no mês passado foi de 28,3 por cento, acima dos 27,5 por cento de julho. No caso das pessoas físicas, a taxa média foi de 52,1 por cento, superior aos 51,4 por cento do mês anterior.

O comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou em abril um ciclo de aperto da taxa básica de juro, que atualmente está em 13,75 por cento.

Edição de Alberto Alerigi Jr.

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