COLUNA-Política cede lugar a inquietação com fundo soberano

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 07:37 BRST
 

Por Angela Bittencourt

SÃO PAULO (Reuters) - Entra ministro, sai ministro, e o mercado não reage. Mas basta acompanhar a escalada das reservas internacionais para muita gente sair do sério.

O sobe-e-desce de ministros do governo Lula e as intensas negociações que sacodem o Congresso para a prorrogação da CPMF e da Desvinculação de Receitas da União (DRU) estão passando batido no mercado financeiro.

Em contrapartida, reservas cambiais aproximando-se de 180 bilhões de dólares provocam calafrios e chegam a permear a alta do dólar por cinco sessões consecutivas, e por uma razão: reservas nesse nível podem disparar compras de dólares pelo governo para a constituição do fundo soberano do Brasil.

A perspectiva de formação desse fundo foi levantada em meados de outubro pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nos últimos dias, o assunto voltou a ser tema de declarações do alto comando das finanças no país, e os mercados trataram de multiplicar as dúvidas quanto ao funcionamento do fundo e o risco de superposição de intervenções do Tesouro e do BC no câmbio.

Já parece claro que a aquisição "extra" de divisas não comprometerá as reservas. Sobram dúvidas, contudo, quanto aos procedimentos operacionais que serão adotados para as atuações do Tesouro, que no Brasil não é responsável pela política cambial mas é gestor das dívidas externa e interna.

O mercado aguarda o detalhamento do fundo soberano porque teme a expansão da dívida mobiliária como mecanismo para o Tesouro fazer caixa para quitar a aquisição de dólares --caso as operações não sejam compartilhadas com o BC.

A perspectiva de o fundo soberano direcionar recursos principalmente para o BNDES, através da aquisição de títulos do banco de fomento, também preocupa porque a operação é vista como um mecanismo tortuoso de capitalização do banco e uma forma de driblar eventuais restrições orçamentárias.   Continuação...