Crise nos EUA pode reduzir crescimento do Brasil, diz Ipea

quarta-feira, 26 de março de 2008 11:42 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A economia brasileira deve crescer entre 4,2 e 5,2 por cento este ano, mais uma vez impulsionada pelo consumo, previu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quarta-feira, sugerindo que a ponta mais baixa deve ser atingida se a crise norte-americana afetar significativamente o país.

O prognóstico está ligeiramente abaixo da expansão de 5,4 por cento apurada no ano passado. O mercado projeta, segundo o relatório Focus, um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5 por cento.

"A expansão do PIB esperada em 2008 pode ser explicada pelos mesmos fatores que impulsionaram a economia no ano passado, com destaque para a manutenção da demanda interna aquecida. O consumo das famílias continuará crescendo de maneira significativa", disse o Ipea em relatório.

O instituto acrescentou que a forte expansão do ano passado já gera para este ano um "carry over" de 2,5 por cento.

"As projeções estão condicionadas a duas questões principais: desdobramentos da crise na economia norte-americana e um possível excesso de demanda sobre oferta", acrescentou o Ipea.

A "provável" recessão norte-americana pode atingir o Brasil por duas vias, segundo o instituto: pela queda do nível da atividade mundial, que diminuiria as exportações brasileira, e pelo aumento da aversão global ao risco.

COMPONENTES DO PIB

O prognóstico do instituto para o setor agropecuário é de entre 3,6 e 4,4 por cento neste ano. A previsão para a indústria é de uma faixa de alta de 4,5 a 5,3 por cento e a estimativa para o setor de serviços é de avanço de 3,9 a 4,9 por cento.

A formação bruta de capital --uma medida dos investimentos-- deve crescer no ano entre 12,4 e 14,1 por cento.   Continuação...