ANÁLISE-Entrincheirada, Xstrata deixa para VALE opções menores

quarta-feira, 26 de março de 2008 15:30 BRT
 

Por Andrei Khalip

RIO DE JANEIRO, 26 de março (Reuters) - O fracasso nas negociações entre as mineradoras Vale e a anglo-suíça Xstrata deixa para a brasileira a opção de aquisições de menor porte e também a implementação de seu plano de expansão de 59 bilhões de dólares, afirmaram analistas na quarta-feira.

O fato de a Vale (VALE5.SA: Cotações) e a Xstrata XTA.L terem deixado a porta aberta para possível retomada das negociações dentro de seis meses, após a brasileira ter anunciado na terça o fim das conversas com a anglo-suíça, também significa que a maior produtora de minério de ferro do mundo pode ainda reassumir a sua intenção, quando a turbulência nos mercados financeiros globais passar.

"A Vale deixou claro quando fez a oferta pela Xstrata que ela quer cobre e carvão, então eu acho que nós podemos esperar aquisições isoladas em uma escala menor por ora", afirmou Rogério Zarpao, um analista do Unibanco.

"Eles garantiram 50 bilhões em financiamentos para comprar a Xstrata e não será difícil para eles levantarem uma quantia menor muito rapidamente. Também, para o segundo trimestre, eles terão muito mais poder de fogo com o seu fluxo de caixa reforçado pelos recentes aumentos dos preços do minério de ferro e pelotas", acrescentou.

Na semana passada, a Vale anunciou um aumento maior do que o esperado de 86,6 por cento para os preços de pelota de minério de ferro, em acordo com a siderúrgica italiana Ilva, seguindo acordos de reajustes de 65 a 71 por cento para os preços contratuais do minério de ferro com seus principais clientes.

Outros consumidores também devem aceitar o mesmo aumento nos preços para pelotas, como a Ilva.

Analistas mencionaram a Southern Copper PCU.N, uma unidade do Grupo Mexico (GMEXICOB.MX: Cotações), a mineradora chilena Antofagasta com sede em Londres (ANTO.L: Cotações) e a norte-americana Freeport-McMoRan Copper & Gold (FCX.N: Cotações) como possíveis alvos de aquisições da Vale, bem como companhias de carvão da China e em outros lugares da Ásia.

"O fim das conversas pelo menos não é negativo para a Vale. Não a deixa vulnerável --eles têm 59 bilhões de dólares em investimentos para o seu crescimento orgânico e afirmam que podem comprar outros ativos", declarou Pedro Galdi, do ABN Amro, em São Paulo.   Continuação...