Lucro combina com dor em acordos da Airbus na China

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 10:36 BRST
 

Por Tim Hepher

PEQUIM (Reuters) - A fabricante européia de aviões Airbus usou duas máscaras na China nesta segunda-feira, a alegria de acertar o que pode ser o maior contrato de vendas em volume e o crescente desespero sobre a contínua queda no valor do dólar.

O paradoxo é o mesmo que domina as discussões entre líderes chineses e franceses nesta semana: como lidar com a expansão econômica da China sem ser esmagado por desequilíbrios no mercado global de moedas, que são atribuídos à China pela Europa.

O presidente francês, Nicolás Sarkozy, e o presidente chinês, Hu Jintao, acompanharam a assinatura de um acordo da Airbus com a agência de compras da China que pode levar a uma encomenda de 160 jatos de passageiros da companhia européia avaliados em 16,7 bilhões de dólares a preços de tabela.

Isso superaria o recorde anterior de 150 aviões registrado pelo antecessor de Sarkozy, Jacques Chirac, com a China durante visita similar feita em outubro de 2006.

Mas a força do euro contra o dólar, a moeda em que os aviões são vendidos, está pressionando a participação da Airbus no mercado mundial de aviação disputado também pela Boeing.

"É um perigo vital, o que significa que está comendo as margens da companhia, mas não de maneira imediata", disse o presidente-executivo da controladora da Airbus, a EADS, Louis Gallois, à Reuters.

A Airbus já planeja reduzir sua força de trabalho em 10 mil funcionários e economizar 2,1 bilhões de euros (3,11 bilhões de dólares) por ano sob o programa de reestruturação Power8. A empresa também está tentando vender seis de suas 16 fábricas para fornecedores.

Com a demanda por aviões decolando, Gallois disse que o problema não se resolve apenas com os cortes de empregos. A força do euro contra o dólar pode levar a uma terceirização adicional maciça se a valorização da moeda européia não for contida.   Continuação...