26 de Maio de 2008 / às 20:38 / em 9 anos

Com falta de sondas, PETROBRAS desloca equipamentos no pré-sal

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 26 de maio (Reuters) - A falta de sondas no mercado está fazendo a Petrobras (PETR4.SA) adiar testes de produção em campos promissores do pré-sal como Carioca e Bem-te-vi, com os equipamentos sendo deslocados para explorar outras áreas na mesma região, informou o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, nessa segunda-feira.

Ele descartou que até o final deste mês a empresa pudesse dar mais informações sobre Carioca.

“Deixamos de fazer testes (de produção) em Carioca para cumprir o programa da ANP, para não ter que devolver áreas”, disse Gabrielli a jornalistas referindo-se ao programa obrigatório imposto a empresas petrolíferas pela agência reguladora do setor.

Pelas regras, as empresas que recebem concessões de blocos precisam cumprir cronogramas específicos para anunciarem resultados de testes exploratórios, sob risco de perderem as concessões.

Gabrielli lançou nesta segunda-feira o plano para contratar 40 navios-sonda e plataformas de perfuração para a exploração da área pré-sal, com recebimento das unidades até 2017.

Ele informou que uma sonda para operar em lâminas d’água de entre 2 e 3 mil metros custa em média de 400 a 600 mil dólares por dia.

A prioridade da contratação das sondas será no mercado interno no longo prazo, mas Gabrielli admitiu que, no curto prazo, a indústria naval brasileira não tem condições de atender a encomenda.

“Vamos fazer uma avaliação de quanto o mercado internacional vai poder entregar e fazer um balanço com as possibilidades dos estaleiros brasileiros. O volume internacional vai nos dizer quanto vamos contratar no Brasil”, disse o executivo após participar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do lançamento de licitação para contratação de 146 navios de apoio para a empresa.

Além desses navios, a área de abastecimento da Petrobras anunciou que prevê contratar mais 19 embarcações, além dos dois VLCC (Very Large Crude Carrier) para 300 mil toneladas já anunciados.

Gabrielli informou ainda que a área conhecida como Bem-te-vi, também no pré-sal, cujo indício de hidrocarbonetos foi declarado na semana passada, também terá que esperar por equipamentos para ter mais detalhes. A sonda que operava no local foi transferida para Iara, outra área no pré-sal onde a Petrobras precisa revelar indícios de petróleo para não ter que devolver para a ANP.

CORRIDA

Segundo o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, também presente ao evento, até o início do ano que vem a Petrobras precisa informar à ANP se encontrou indícios de petróleo em todas as áreas do pré-sal na bacia de Santos, sob o risco de perder essas áreas.

“Temos que apresentar o plano de avaliação de todos esses campos até final de 2010, estamos correndo contra o tempo, por isso estamos afretando as sondas”, explicou Estrella.

Segundo o diretor, apenas no campo de Tupi --onde foram anunciadas reservas potenciais de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo equivalente-- foi possível fazer teste de avaliação, onde é declarado o potencial da reserva, e os trabalhos estão mais adiantados.

Segundo ele, a plataforma para os Testes de Longa Duração (TLD) de Tupi já foi contratada da norueguesa Bergesen, para produzir de 10 a 20 mil barris diários, e a ANP já autorizou a queima de 500 mil metros cúbicos de gás por dia para os testes no local. Um gasoduto de 240 quilômetros de extensão também já foi contratado, ressaltou Estrella, ligando o campo de Tupi ao campo de Mexilhão.

“Todas as decisões já foram tomadas e vamos furar dois poços lá (Tupi), só então teremos informações mais concretas do reservatório”, informou.

Na lista para confirmação de comercialidade no pré-sal, além de Tupi, estão as áreas de Caramba, Carioca, Júpiter, Guará, Bem-te-vi, Parati e Iara, informou Estrella.

“Estamos nessa corrida, precisamos apresentar o plano de avaliação até o início do ano que vem”, disse Estrella, afirmando que não há possibilidade da Petrobras devolver áreas nessa região.

“O potencial nessa área está comprovado e o risco exploratório é muito pequeno, todos os poços que a gente tem perfurado nessa área tem dado descoberta, o potencial é realmente elevado”, complementou.

Ele explicou que ainda não está comprovado se toda a área do pré-sal é contínua, o que facilitaria a exploração, mas que existe essa possibilidade. A estimativa é de que a empresa leve de 3 a 5 anos para desenvolver a produção.

“Depois de perfurarmos todas essas áreas vamos fazer uma reavaliação em qual dos poços vamos atuar primeiro”, disse Estrella.

Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira

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