26 de Fevereiro de 2008 / às 19:39 / 9 anos atrás

Dólar deixa R$1,70 para trás e mercado prevê mais queda

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou a terça-feira abaixo de 1,70 real pela primeira vez desde maio de 1999, derrubado por operações de investidores atraídos pelos juros relativamente altos do Brasil, por entrada de recursos e pelo bom desempenho dos mercados internacionais.

A moeda norte-americana recuou 1,29 por cento, para encerrar o dia a 1,684 real. Foi a sétima queda consecutiva do dólar --a mais longa série negativa desde novembro de 2005.

Segundo analistas, a principal razão para a baixa do dólar é a diferença entre os juros no Brasil e no exterior, que alimenta as chamadas operações de arbitragem. A taxa básica de juros local é de 11,25 por cento ao ano, enquanto a norte-americana está em 3 por cento.

"Está todo mundo vindo para cá", disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy. "Existe uma confiança muito grande na economia brasileira."

O mercado externo também ajudou nesta sessão. Mesmo com dados preocupantes sobre inflação, as bolsas de valores em Nova York operavam em alta de cerca de 1 por cento no meio da tarde.

"A grande dúvida no momento não é se o dólar cairá, mas sim até onde cairá sem se tornar um relevante problema para o qual o Banco Central do Brasil não dispõe de estratégias técnicas", avaliou em relatório o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme.

FIM DE MÊS SE APROXIMA

Segundo ele, os instrumentos que o BC usa atualmente --leilões de swap reverso e de compra de dólares no mercado à vista-- não só não evitam a queda do dólar como podem ajudar a alimentá-la.

Quando o BC compra mais do que o excedente de dólares no mercado, explicou o analista em relatório recente, os bancos têm espaço para aumentar suas operações de arbitragem.

Isso explica porque o dólar continuou a cair mesmo com o déficit em transações correntes de janeiro e no saldo semanal da balança comercial.

De acordo com Vogeler, o mercado pouco repercutiu essas notícias, que poderiam justificar uma alta da moeda.

O movimento pode se agravar nos próximos dias, quando é definida a taxa de dólar usada no vencimento de contratos futuros. Como muitos agentes estão aumentando as posições vendidas em dólar, pode haver uma pressão adicional para a queda da moeda norte-americana.

"Tem muita gente se defendendo, muita gente vendida, e a Ptax (taxa média do dólar) vai fazer a diferença", comentou o operador.

Nesta sessão, o BC deixou para os últimos minutos de negócios sua compra habitual de dólares no mercado à vista. A instituição definiu taxa de corte a 1,6828 real e aceitou ao menos duas propostas, segundo operadores.

Ainda nesta terça-feira, o BC divulga o resultado de uma pesquisa de demanda para avaliar o interesse do mercado em um leilão de swap reverso para rolagem de 1,63 bilhão de dólares em contratos que vencem em 3 de março.

Edição de Daniela Machado

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