26 de Outubro de 2007 / às 19:22 / em 10 anos

VALE aposta no níquel apesar da queda recente de preços

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 26 de outubro (Reuters) - A queda do preço do níquel no mercado internacional não atrapalha os planos da Companhia Vale do Rio Doce (VALE5.SA) para uma das novas estrelas do seu portfólio. Na avaliação do diretor-executivo de Finanças, Fábio Barbosa, a demanda dos países emergentes vai garantir o preço do metal.

Ele destacou que o níquel divide com o minério a maior parte da receita da empresa, e essa diversificação ajuda a equilibrar o resultado financeiro da companhia.

“No segundo trimestre tivemos problemas com embarque de minério e o níquel foi muito bem, e no terceiro trimestre o minério foi muito bem... essa diversificação ajuda a lidar com as flutuações de curto prazo”, explicou Barbosa a jornalistas um dia depois da empresa divulgar o resultado do trimestre.

Barbosa observou que mesmo com recuo em relação ao preço recorde, o níquel ainda está em patamar superior à época da compra da canadense Inco pela Vale, que colocou a mineradora brasileira em posição de destaque no comércio do metal.

“Nossa visão é que a demanda mundial está voltada para os minérios”, disse Barbosa, lembrando que 73 por cento da taxa de crescimento mundial é determinada pelos países emergentes.

A Vale teve lucro de 4,7 bilhões de reais de julho a setembro, alta de 17,5 por cento em relação há um ano. A receita da companhia foi recorde, de 16 bilhões de reais.

“O mercado recebeu bem a divulgação dos nossos resultados”, disse ele. Por volta das 17h, as ações preferenciais da companhia registravam forte alta de 5 por cento, enquanto o índice Bovespa subia 2,8 por cento.

Além do níquel produzido pela Inco CVRD, Barbosa informou que a Vale pretende iniciar em 2008 as operações em Goro, na Oceania, com 60 mil toneladas anuais de níquel, e o projeto brasileiro de Onça Puma, no Pará, que vai produzir 58 mil toneladas.

“Investimos 1,6 bilhão de dólares para implantar esses projetos, é um grande esforço”, afirmou.

Já o início da produção de níquel em Vermelho, mina também no Pará, foi adiado de 2008 para 2012 pela “dificuldade de colocar as peças juntas”, disse Barbosa, citando a demora da licença ambiental aliada à dificuldade de conseguir pessoal e equipamentos.

PREÇO

Às vésperas de iniciar negociações para o reajuste do preço do minério de ferro em 2008, que pode ultrapassar os 25 por cento por pressão da demanda, Barbosa continua apostando na oferta reduzida favorecendo as mineradoras. Este ano, o aumento do minério foi de 9,5 por cento.

“Nós entendemos que o mercado continua bastante forte, a demanda crescente...nós aumentamos desde 2005 a produção em 30 milhões de toneladas e mesmo assim o mercado continua desabastecido”, afirmou.

Barbosa disse que a empresa continua caminhando na direção de redução de custos. Nos últimos 12 meses houve uma queda da ordem de 252 milhões de dólares, disse o executivo. Ele lembrou, no entanto, que a forte demanda por metais tem encarecido a indústria de maneira geral.

O custo tem afetado também os clientes da Vale, que por este motivo pensa em montar uma empresa, “ou mesmo apenas uma unidade dentro da Vale”, para atender aos clientes e tentar reduzir o frete marítimo, “hoje em torno dos 90 dólares a tonelada para a Ásia, por exemplo”, informou Barbosa, sem saber estimar o potencial da economia com o novo sistema.

“Não vemos que todo o preço do frete reflita o fundamento da indústria, existem distorções”, avaliou.

Para amenizar o custo do frete de longo percurso para os clientes, e com isso garantir mercado, a Vale está montando uma frota de navios novos e com três que pertenciam à Docenave.

“Já saiu do papel, já fazemos encomendas e navios estão sendo modificados para minério”, informou Barbosa.

Além dos navios da Docenave, a Vale encomendou quatro navios com capacidade para 388 mil toneladas cada e mais um que está sendo adaptado em um estaleiro japonês para transporte de minério.

“Este ano serão 780 milhões de toneladas de transporte transoceânico, 60 por cento a mais do que em 2006”, lembrou o diretor.

(Por Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira; Reuters Messaging: denise.luna.reuters.com@reuters.net, 5521 22237141))

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