Ata do Fed aponta crescimento fraco nos EUA

terça-feira, 26 de agosto de 2008 16:55 BRT
 

Por David Lawder

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve avaliou no início do mês que a perspectiva econômica fraca e o estresse financeiro eram motivos para manter a taxa de juro, apesar das preocupações com as pressões inflacionárias.

Na reunião de 5 de agosto, os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) concordaram que o mercado de trabalho em desaceleração, altos preços de energia e a contração do setor imobiliário pesarão no crescimento futuro, deixando a atividade econômica abatida por vários trimestres.

"Além disso, os membros do Fomc continuaram vendo riscos às perspectivas, refletindo em especial uma possível deterioração adicional das condições financeiras", apontou a ata da reunião, divulgada nesta terça-feira.

Enquanto os membros do Fomc concordaram que a próxima mudança na taxa será possivelmente de alta, a maioria não viu a atual posição da política monetária como "particularmente expansionista", pois famílias e empresários estão enfrentando uma condição de crédito mais apertada e custos de empréstimos mais altos.

A reunião resultou na manutenção da taxa básica de juro norte-americana em 2,0 por cento, mesmo patamar desde abril, quando o banco central norte-americano interrompeu a campanha de seis meses de cortes.

Ao mesmo tempo, os participantes do Fomc afirmaram que a inflação deve desacelerar nos próximos trimestres, refletindo a queda dos preços de energia e commodities.

"Embora medidas dos núcleos da inflação possam subir ainda neste ano, dada a transmissão dos altos preços de energia e outros insumos para os preços de bens finais, a maioria dos participantes previu que o núcleo da inflação deverá recuar durante 2009", acrescentou o Fed.

Daniel North, economista-chefe da Euler Hermes, avaliou a ata como "bastante branda" com a inflação.

"Tem muito mais texto discutindo a fraqueza da economia, como os gastos do consumidor. Parece ter mais ênfase nos riscos ao crescimento."

O presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, foi o único dissidente na votação de 10 a 1 para manter o juro. Ele defendeu a elevação da taxa para combater as crescentes pressões inflacionárias, que vê como um risco muito maior para a economia.