27 de Novembro de 2007 / às 11:55 / 10 anos atrás

Soja bate US$11/bu tarde demais para elevar plantio no Brasil

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 27 de novembro (Reuters) - O preço de 11 dólares por bushel para a soja na bolsa de Chicago, maior valor em 34 anos no mercado que é referência internacional da commodity, foi registrado tarde demais para elevar ainda mais o plantio no Brasil, onde os trabalhos de semeadura já entraram na fase final em algumas áreas, disseram fontes do mercado.

“Esse recorde não influencia muito. Aqui em Mato Grosso o plantio começou em outubro, quando os produtores já têm tudo praticamente determinado”, disse o analista da Agência Rural Daniel Sebben, em Cuiabá (MT), explicando que a área plantada no país vai aumentar em relação à temporada passada, mas em função dos preços sustentados registrados em meses anteriores.

“Mesmo que Chicago saia de 11 para 12 (dólares por bushel) agora não vai mexer na intenção de plantio, já consolidada”, acrescentou ele, por telefone.

Aliás, a Agência Rural reduziu levemente na semana passada a sua previsão de área com soja no Mato Grosso, para 5,5 milhões de hectares, ante 5,7 milhões de hectares da previsão do mês passado, o que trouxe a estimativa para o país a 22,4 milhões de hectares.

O ajuste nas previsões para o maior produtor brasileiro foi feito já com quase a totalidade das lavouras do Estado semeadas. Mesmo assim, a área plantada em Mato Grosso crescerá 5,7 por cento em relação à da temporada 06/07, e a do Brasil aumentará 5,1 por cento, de acordo com a consultoria.

Ainda segundo o analista, no Mato Grosso, mesmo com preços do grão historicamente altos, o endividamento criado em safras anteriores limitou maiores aumentos de área nesta safra.

Contra um aumento ainda maior do plantio conta também o dólar, que está em patamares bem inferiores em relação a 2004, quando a soja em Chicago também havia superado 10 dólares.

Segundo avaliação do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), se câmbio estivesse em patamares registrados há três anos, a soja valeria mais de 60 reais por saca (60 kg). Naquela época, a commodity chegou ao recorde de 55 reais no mercado nacional, contra atuais 43 reais nas praças onde o produto está mais valorizado.

Vale dizer que em 2004/05 o Brasil semeou a sua maior área até hoje, de 23,3 milhões de hectares, contra uma previsão oficial de 21,2 milhões de hectares para a atual temporada.

CLIMA DETERMINANTE

Após investir mais em fertilizantes e na ampliação da área plantada de soja, o produtor brasileiro agora espera contar novamente com um clima favorável para tirar proveito dos preços internacionais recordes, disseram analistas.

Na temporada passada (2006/07), apesar da queda de área, o Brasil colheu uma safra recorde de mais de 59 milhões de toneladas, em função da ocorrência de um tempo excelente.

“Não dá para contar com o mesmo clima do ano passado, que foi quase perfeito”, disse a analista Jacqueline Bierhals, da FNP, lembrando que a produtividade foi recorde no país, de 2.823 quilos por hectare. A consultoria prevê uma produtividade de 2.600 quilos para 07/08.

Jacqueline ressaltou que a necessidade de chuvas regulares deve crescer a partir de dezembro, quando a soja entra em floração nas regiões onde o plantio está mais adiantado. “Dezembro e janeiro são determinantes da produtividade”, disse ela, considerando o clima até mais importantes que os investimentos feitos em adubos.

“Depois do plantio, não se aduba mais. Acho que usaram mais adubo este ano, mas não muito, até porque a área cresceu.”

Dados da Anda (Associação Nacional para a Difusão de Adubos) revelam que as entregas de fertilizantes no Brasil atingirão um recorde de 24,5 milhões de toneladas em 2007. No acumulado do ano até outubro, já somam 20,5 milhões de toneladas, crescimento de 24 por cento ante 2006.

Edição de Marcelo Teixeira

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