Presidente do Timor pode renunciar para assumir posto na ONU

quinta-feira, 26 de junho de 2008 08:01 BRT
 

DILI (Reuters) - O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, disse na quinta-feira que irá consultar líderes políticos e religiosos para decidir se renuncia à Presidência caso lhe seja oferecido um emprego para tratar de direitos humanos na ONU, para o qual ele é possível candidato. Ramos-Horta, 58, que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1996 em reconhecimento ao seu papel na luta pela independência do Timor Leste, vai anunciar sua decisão quanto ao cargo de alto comissário dos direitos humanos na sexta-feira. "Peço desculpas por ainda não poder dizer que me decidi se serei candidato ao posto de alto comissário dos direitos humanos em Genebra", disse Ramos-Horta em uma coletiva de imprensa na capital do Timor Leste, Dili.

"Fui encorajado por muitos amigos, locais e internacionais, para buscar essa opção", disse.

"Tenho de consultar líderes políticos e religiosos porque tenho responsabilidade com o povo e com o país. Tenho de considerar as consequências políticas de deixar o país."

Ele afirmou que o primeiro-ministro Xanana Gusmão defende que ele assuma o cargo na ONU.

Ramos-Horta, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato em fevereiro, foi eleito presidente da mais jovem nação da Ásia no ano passado, para um mandato de cinco anos.

Quando ganhou o Nobel, ele era um importante diplomata. Assumiu também os postos de primeiro-ministro e de ministro das Relações Exteriores, antes de ser presidente.

No ataque que sofreu de soldados rebeldes em sua casa, Ramos-Horta foi baleado e ficou severamente ferido. Ele costuma dizer que gostaria de ter uma vida mais calma para poder escrever uma autobiografia que conte a longa luta do Timor Leste para se livrar do controle da Indonésia.

O Timor Leste sofre para obter estabilidade política e social depois da onda de violência que matou 37 pessoas e tirou 150 mil de suas casas, em 2006.

A ex-colônia portuguesa, invadida pela Indonésia em 1975, emancipou-se em 1999, com uma votação organizada pelas Nações Unidas e marcada pela violência. Mas a independência total só veio em 2002, quando as Nações Unidas encerraram sua administração do país.

(Reportagem de Tito Belo)