Amorim vê nova reunião ministerial de Doha em fevereiro

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 21:12 BRST
 

 WASHINGTON (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores,
Celso Amorim, prevê uma nova reunião ministerial na rodada
agrícola de Doha da Organização Mundial do Comércio para
fevereiro. Esse encontro poderia culminar com uma conclusão
final das negociações comerciais em "dois ou três meses".
 Amorim, que está nos Estados Unidos para participar da
reunião sobre o Oriente Médio promovida pelo presidente
norte-americano, George W. Bush, em Annapolis, deu a declaração
depois de reunir-se com a representante comercial dos Estados
Unidos, Susan Schwab, na capital norte-americana.
 Ele disse que ambos conversaram sobre cronogramas para a
rodada, mas se abstiveram de entrar no "aspecto negociador" das
discussões, que giram em torno da liberalização do comércio
agrícola mundial e redução de subsídios nos países ricos.
 "Provavelmente nós vamos ter uma fase aí por volta de
fevereiro, quando os ministros novamente talvez tenham que se
encontrar", disse Amorim a jornalistas na embaixada brasileira
em Washington.
 "Aí num espaço relativamente curto de dois ou três meses
(...) se chegaria a uma conclusão", acrescentou.
 De Schwab, o ministro ouviu ser "possível" ter uma
aprovação de um eventual acordo no Congresso norte-americano,
que está nas mãos da oposição democrata, ainda em 2008 --último
ano do governo Bush e ano de eleição presidencial no país.
 "A avaliação é de que é possível", disse Amorim,
acrescentando que a Rodada Uruguai da OMC também foi aprovada
pelo Congresso dos EUA num ano semelhante.
 AVANÇOS TÉCNICOS
 O ministro destacou que, pelo momento, tem ocorrido avanços
"técnicos" nas duras negociações pelas quais os países em
desenvolvimento, como Brasil e Índia, buscam a redução dos
bilionários subsídios agrícolas que os países ricos dão a seus
produtores rurais.
 Em troca, os países ricos querem maior acesso para seus
produtos, principalmente industriais, nos países em
desenvolvimento.
 Amorim apontou que uma área que tem avançado é a de
subsídios às exportações, mas acrescentou que ele e Schwab, a
quem definiu como "amiga", não falaram em "números".
 Países como Brasil querem que os Estados Unidos reduzam os
subsídios à agricultura de cerca de 18 bilhões de dólares para
13 bilhões de dólares ao ano.
 A Rodada de Doha foi lançada há seis anos no Catar,
justamente com objetivo de ajudar países em desenvolvimento a
reduzir a pobreza.
 (Por Adriana Garcia)